o rio
nasce
da pedra
vai pelo cosmo
damião
me afoga
na imensidão da deus
e no brilho de sol
que todo
diamante
tem
20 julho 2010
08 julho 2010
propósitas
percebe que
é uma pessoa acoplada aos
óculos se
sem querer entra
pro chuveiro
com eles
se lembra
que
tem as mãos pequenas
e sujas
quando esquece os
sabonetes
duros
na pia
mergulha
na piscina pra
ficar um pouco mais
nua
é uma pessoa acoplada aos
óculos se
sem querer entra
pro chuveiro
com eles
se lembra
que
tem as mãos pequenas
e sujas
quando esquece os
sabonetes
duros
na pia
mergulha
na piscina pra
ficar um pouco mais
nua
07 julho 2010
Confissões de Adolescente
O medo de me perder vai até onde sinto nas palmas das mãos frias, se digo frívola que não te quero mais com a indiferença nos gestos do que fica. Feito pedra olho com a tristeza mansa do que ficará para poeira. De nós, que já estávamos aqui antes e restaremos para depois dos teus netos...quando tudo ficar pó quero apenas que seja como for, meu amor, segurar as tuas mãos até que durmas.
Sei do perigo escuro que é permanecer. Encerrada dentro da vida me tornando todo dia um mero detalhe teu.
Esqueço o trabalho vou para tua casa de trigo e de sol num mundo em núpcias que inventei para te ver melhor sem olhar. Se por exemplo sinto fluir teu sangue até o último suspiro, devagarzinho, esvaindo-se. Em ato e potência. Decaídos na cama de lençóis imundos.
Não estou aqui, nem quando quero, nem quando posso. Mas sou bem mulher ao teu lado. Mulher de carne e ossos. E te dou como ninguém risadas rasgadas, gostosa que sai da boca do meu estômago se enche de pequeninas libélulas quando você, amigavelmente, me beija até a efemeridade do teu acridoce a tua pele tem cheiro de algodão.
Sinto fome mas não lavo as frutas, não me basto. No entanto, mosaicos ínfimos, de mim me alimento sem apetite.
Sei do perigo escuro que é permanecer. Encerrada dentro da vida me tornando todo dia um mero detalhe teu.
Esqueço o trabalho vou para tua casa de trigo e de sol num mundo em núpcias que inventei para te ver melhor sem olhar. Se por exemplo sinto fluir teu sangue até o último suspiro, devagarzinho, esvaindo-se. Em ato e potência. Decaídos na cama de lençóis imundos.
Não estou aqui, nem quando quero, nem quando posso. Mas sou bem mulher ao teu lado. Mulher de carne e ossos. E te dou como ninguém risadas rasgadas, gostosa que sai da boca do meu estômago se enche de pequeninas libélulas quando você, amigavelmente, me beija até a efemeridade do teu acridoce a tua pele tem cheiro de algodão.
Sinto fome mas não lavo as frutas, não me basto. No entanto, mosaicos ínfimos, de mim me alimento sem apetite.
06 julho 2010
De-privé
Lá vai ela sorrindo qualquer coisa de sol
deixando uma
saudade de flor que
nunca mais será a mesma
quando voltar
do banheiro estará mais
cínica e deliciosa (a maquiagem)
toda retocada
atrás das unhas certas
sujeirinhas que
esconde com
esmalte
ascendo um incenso
penso na sua boca
curvilínea
no quarto tento uma
introspecção
mística então percebo que a festa
em minha casa mal
começou as pessoas na sacada fumam na fila do banheiro tudo é tão ágil
e animadas entram cinco, seis moças sem sapatos, cambaleantes os quartos estão todos
ocupados...
alguém vomita no tapete simplesmente
não faço sentido neste
lugar um sujeito tipo
austríaco diz que seu tio era tetraplégico e
fumava de madrugada,
charutos escondidos e não sabia como ele fazia isso
porque tinha quatro filhos
pequenos
devia estar bêbado porque ri disso
bem além do normal
esse pessoal que
eu mal conheço
amigos de amigos bolhas
de alegria usando óculos
escuros-enconderijos
não via os olhos de ninguém
exceto
os
dela
procurando
em volta
como se não me
visse
como se estivesse
obstruindo
sua
visão
não me
olha nos
olhos jamais
sorri
quando
alguém apagou as luzes
todos dançaram em volume elevadíssimo
a música levou embora minhas
últimas
palavras a esmo tipo:
e ae o que você anda lendo?
os flashs
de euforia
a engoliram medonhamente
entre as
silhuetas
símeas
ninguém percebia. todos pulando
e falando merda
batendo as cinzas no braço do meu sofá como se
lá estivesse um
cinzeiro
invisível
me movia entre
alguns amigos
encho meu copo de vódica
se estraçalha
na parede pergunto
se alguém tem
um puto
dum
cigarro
Ei,
menina, vem cá
eu tenho fogo
então
me dá
um
cigarro
deixando uma
saudade de flor que
nunca mais será a mesma
quando voltar
do banheiro estará mais
cínica e deliciosa (a maquiagem)
toda retocada
atrás das unhas certas
sujeirinhas que
esconde com
esmalte
ascendo um incenso
penso na sua boca
curvilínea
no quarto tento uma
introspecção
mística então percebo que a festa
em minha casa mal
começou as pessoas na sacada fumam na fila do banheiro tudo é tão ágil
e animadas entram cinco, seis moças sem sapatos, cambaleantes os quartos estão todos
ocupados...
alguém vomita no tapete simplesmente
não faço sentido neste
lugar um sujeito tipo
austríaco diz que seu tio era tetraplégico e
fumava de madrugada,
charutos escondidos e não sabia como ele fazia isso
porque tinha quatro filhos
pequenos
devia estar bêbado porque ri disso
bem além do normal
esse pessoal que
eu mal conheço
amigos de amigos bolhas
de alegria usando óculos
escuros-enconderijos
não via os olhos de ninguém
exceto
os
dela
procurando
em volta
como se não me
visse
como se estivesse
obstruindo
sua
visão
não me
olha nos
olhos jamais
sorri
quando
alguém apagou as luzes
todos dançaram em volume elevadíssimo
a música levou embora minhas
últimas
palavras a esmo tipo:
e ae o que você anda lendo?
os flashs
de euforia
a engoliram medonhamente
entre as
silhuetas
símeas
ninguém percebia. todos pulando
e falando merda
batendo as cinzas no braço do meu sofá como se
lá estivesse um
cinzeiro
invisível
me movia entre
alguns amigos
encho meu copo de vódica
se estraçalha
na parede pergunto
se alguém tem
um puto
dum
cigarro
Ei,
menina, vem cá
eu tenho fogo
então
me dá
um
cigarro
05 julho 2010
contato uspiano com a chuva
Nunca mais os dias de chuva serão os mesmos, pois eram os teus cabelos que estavam molhados e nas ruas da praça do relógio- em meu mundo ordenadamente caótico- só havia nós dois.
E você falando comigo através das lentes dos óculos minúsculas gotas de luz brilhavam tanto um brilho que só poderiam vir de mim pois o céu era um triste veludo púmbleo e eu me pegando enamorada de um estranho doida para me deitar em seu encantador sorriso tímido, encantador sorriso tímido -com duas covinhas convidavam um amor cheio de mistérios e melodias, como um baile, Pedro, de máscaras.
Escondia o rosto na barba feia e rala e eu sei de olhos tão pequenos me amargam agora quando lembro da alma que tinha o teu olhar. Eu sei que é velho e repetido o que te digo do nosso dia de chuva entre tantos outros dias
Em que lágrimas prismáticas cairam do céu, frias e benditas, Rafael, diabético e esuivo tinha tantas amiguinhas chatas, as quais eu não curtia, te sufocavam.
Desapareceu como o orvalho nas manhãs de brisa restou-me apenas esperar que a lilás flor do estio brotasse na Pedra do teu coração de rocha. O meu magma por dentro inerte nesta forma de flor espero reencontrá-lo encarnado no espírito
beija-flor.
E você falando comigo através das lentes dos óculos minúsculas gotas de luz brilhavam tanto um brilho que só poderiam vir de mim pois o céu era um triste veludo púmbleo e eu me pegando enamorada de um estranho doida para me deitar em seu encantador sorriso tímido, encantador sorriso tímido -com duas covinhas convidavam um amor cheio de mistérios e melodias, como um baile, Pedro, de máscaras.
Escondia o rosto na barba feia e rala e eu sei de olhos tão pequenos me amargam agora quando lembro da alma que tinha o teu olhar. Eu sei que é velho e repetido o que te digo do nosso dia de chuva entre tantos outros dias
Em que lágrimas prismáticas cairam do céu, frias e benditas, Rafael, diabético e esuivo tinha tantas amiguinhas chatas, as quais eu não curtia, te sufocavam.
Desapareceu como o orvalho nas manhãs de brisa restou-me apenas esperar que a lilás flor do estio brotasse na Pedra do teu coração de rocha. O meu magma por dentro inerte nesta forma de flor espero reencontrá-lo encarnado no espírito
beija-flor.
Bis-coito (2003)
meu coração se conquista em silêncio
não vai adiantar palavra
derramada
sinto teu vigor quente na ponta dos dedos
tua virgindade de uma Antigüidade maior:
de um mundo de deuses esquecidos, tão colorido...
assim, se me apaixono por teus cabelos
resplandecem ao sol.
Juro
que tudo é possível
que me caso contigo!
Mas pós-coito
és uma banalidade qualquer:
a cor dos teus olhos,
acordar contigo,
que fastio!
teus seios nus e rijos...
torcendo as mãos, mordendo os lábios
sorri amarelo-sol e reparo que teus dentes são um pouco azuis
tua melancolia me falta fôlego pra acompanhar-te
até o portão.
não vai adiantar palavra
derramada
sinto teu vigor quente na ponta dos dedos
tua virgindade de uma Antigüidade maior:
de um mundo de deuses esquecidos, tão colorido...
assim, se me apaixono por teus cabelos
resplandecem ao sol.
Juro
que tudo é possível
que me caso contigo!
Mas pós-coito
és uma banalidade qualquer:
a cor dos teus olhos,
acordar contigo,
que fastio!
teus seios nus e rijos...
torcendo as mãos, mordendo os lábios
sorri amarelo-sol e reparo que teus dentes são um pouco azuis
tua melancolia me falta fôlego pra acompanhar-te
até o portão.
Estimação (2003)
Meus dentes são para morder.
Não sairei isenta de nada.
Foram feitos fortes para te rasgar
os músculo do coração beber teu sangue
quente de bicho morno
Escutas o que digo?
Vou partir de mim mesma mais ampla
que esses dentes
cravados nas
tuas gengivas
por enquanto
escuto quieta os ruídos
do teus sapatos no asfalto
arranha os pêlos
da tua pele
hoje
minhas linhas só dão nós
nos lambemos
feito gatos
de rua
Não sairei isenta de nada.
Foram feitos fortes para te rasgar
os músculo do coração beber teu sangue
quente de bicho morno
Escutas o que digo?
Vou partir de mim mesma mais ampla
que esses dentes
cravados nas
tuas gengivas
por enquanto
escuto quieta os ruídos
do teus sapatos no asfalto
arranha os pêlos
da tua pele
hoje
minhas linhas só dão nós
nos lambemos
feito gatos
de rua
De lírios brancos/ Clarice (2004)
Do céu escuro é que tenho ímpetos
de ir muito além
deste pavor de maxilares rangendo
em fome no oco da barriga
vontade do teu sexo
Escorro em vermelho
que é vermelho vivo de beber
de tragar meio louca,
toda dona de mim, ao meio dia meus
seios estão soltos e mornos para teus lábios quando
o mundo mergulha em mim e o aceito nua
e crua até o céu traz certas
delicadezas de luz
Estou tão só em dissolução
somente a água
me envolve um brilho diferente na multidão e
me faço de tão forte
perguntando a pior pergunta: quem és tu, loba ou santa?
o espelho olhava mudo soltava os braços e me abria pétala por pétala às tuas mãos estranhas
como eu à minha janela do céu
juntos nunca sessa a brincadeira
de quem quer rir da borboleta?
e depois, de noite,
elas voam em silêncio...
(mulheres como eu)
em ânsias de flor em
flor
de ir muito além
deste pavor de maxilares rangendo
em fome no oco da barriga
vontade do teu sexo
Escorro em vermelho
que é vermelho vivo de beber
de tragar meio louca,
toda dona de mim, ao meio dia meus
seios estão soltos e mornos para teus lábios quando
o mundo mergulha em mim e o aceito nua
e crua até o céu traz certas
delicadezas de luz
Estou tão só em dissolução
somente a água
me envolve um brilho diferente na multidão e
me faço de tão forte
perguntando a pior pergunta: quem és tu, loba ou santa?
o espelho olhava mudo soltava os braços e me abria pétala por pétala às tuas mãos estranhas
como eu à minha janela do céu
juntos nunca sessa a brincadeira
de quem quer rir da borboleta?
e depois, de noite,
elas voam em silêncio...
(mulheres como eu)
em ânsias de flor em
flor
Dançando no Escuro (2004)
E se nossa vida fosse um desses filmes que passam de madrugada?
Pra pessoas cults que morrem de medo de si mesmas?
No meio da noite gelada e palidocenta em que a boca seca e qualquer sensibilidade se volve a lágrima? Como se chovesse cacos de vidro lá fora.
Valeria a pena vasculhar teus velhos baús? E saber se a solidão tem uma trilha sonora? A janela sussurra: deslize. E seria fácil confundir o vôo sublime do êxtase com tua própria queda. Nós na garganta surgimos sempre que nos encontramos nos estranhamentos de todos dias passo pelas mesmas ruas torcendo para que a tragédia aconteça. Que o céu desabe em nossas
consciências procurando entre todos esses olhos castanhos os teus, me sorriam. E que espécie de cortes bruscos e lógicas abstratas eles carregam certa opacidade.
O que te aborta, o que te priva de ti mesmo?
A música do teu fone de ouvido alta demais para teus pequenos pés que dançam indolentes e voltam aos velhos hábitos apenas para lembrar de quão ressequida a tua vida parecia até que sucumbe mas ela pára para observar um grão de poeira subir em rodopios do teu vestido vermelho inverte toda a lógica do meu mundo e te
levarei para sempre comigo, a vida a sério, para longe de mim
mesmo que teu mistério seja sempre sombra de gruta
mesmo que seja sempre o que poderia ter sido.
Escutanndo vozes, abrindo os olhos sem tristeza, sem nada mantenho um medo de que tudo quebre e se perca que o coração cansado desista e pare.
É tão depressa... as luzes giram esperando por mim. E aos vinte e dois anos! Aos vinte dois anos e vejam só! Nem sequer passou por nada na vida, a platéia que o diga! A noite chega. E lá se foi mais um dia!
Acaso ignoras que precisas fazer algo da tua vida? Algo drástico. Com alguma sorte haverá teu sangue a encher os olhos quase fechados de tédio de todos esses semblantes ásperos.
Nossa madrugada é um filme mudo. De uma história repetida e gasta que
já passou por todas as garotas de óculos, por todos os saquinhos de pipoca esquecidos no sofá mas que ninguém se lembra do material do qual somos feito um para o outro o que seria
esta película em nitrocelulose o que seria além de uma pretensiosa comédia romântica convertida em explosivos? Eu que sempre te amei e à tuas mágoas mal engolidas não sei o seria mesmo que te amar seja sempre estar
Dançando no Escuro.
Pra pessoas cults que morrem de medo de si mesmas?
No meio da noite gelada e palidocenta em que a boca seca e qualquer sensibilidade se volve a lágrima? Como se chovesse cacos de vidro lá fora.
Valeria a pena vasculhar teus velhos baús? E saber se a solidão tem uma trilha sonora? A janela sussurra: deslize. E seria fácil confundir o vôo sublime do êxtase com tua própria queda. Nós na garganta surgimos sempre que nos encontramos nos estranhamentos de todos dias passo pelas mesmas ruas torcendo para que a tragédia aconteça. Que o céu desabe em nossas
consciências procurando entre todos esses olhos castanhos os teus, me sorriam. E que espécie de cortes bruscos e lógicas abstratas eles carregam certa opacidade.
O que te aborta, o que te priva de ti mesmo?
A música do teu fone de ouvido alta demais para teus pequenos pés que dançam indolentes e voltam aos velhos hábitos apenas para lembrar de quão ressequida a tua vida parecia até que sucumbe mas ela pára para observar um grão de poeira subir em rodopios do teu vestido vermelho inverte toda a lógica do meu mundo e te
levarei para sempre comigo, a vida a sério, para longe de mim
mesmo que teu mistério seja sempre sombra de gruta
mesmo que seja sempre o que poderia ter sido.
Escutanndo vozes, abrindo os olhos sem tristeza, sem nada mantenho um medo de que tudo quebre e se perca que o coração cansado desista e pare.
É tão depressa... as luzes giram esperando por mim. E aos vinte e dois anos! Aos vinte dois anos e vejam só! Nem sequer passou por nada na vida, a platéia que o diga! A noite chega. E lá se foi mais um dia!
Acaso ignoras que precisas fazer algo da tua vida? Algo drástico. Com alguma sorte haverá teu sangue a encher os olhos quase fechados de tédio de todos esses semblantes ásperos.
Nossa madrugada é um filme mudo. De uma história repetida e gasta que
já passou por todas as garotas de óculos, por todos os saquinhos de pipoca esquecidos no sofá mas que ninguém se lembra do material do qual somos feito um para o outro o que seria
esta película em nitrocelulose o que seria além de uma pretensiosa comédia romântica convertida em explosivos? Eu que sempre te amei e à tuas mágoas mal engolidas não sei o seria mesmo que te amar seja sempre estar
Dançando no Escuro.
04 julho 2010
quadrilha
Arrumei os cabelos
ascendi um
sorriso
para
esperar teu beijo bebê-lo
quente de queimar
a língua
masquei dois
chicletes ao mesmo tempo em que ia
saindo dancei
aflita
como se momentos
antes
na praça
o ipê florisse
na janela
do quarto eu olhavaa
pro Michael caindo morto
-fulminado Jackson
meus olhos
corriam
procurando por ele
em câmera lenta vi
seus lábios beijando
a boca
de outra
guria
ascendi um
sorriso
para
esperar teu beijo bebê-lo
quente de queimar
a língua
masquei dois
chicletes ao mesmo tempo em que ia
saindo dancei
aflita
como se momentos
antes
na praça
o ipê florisse
na janela
do quarto eu olhavaa
pro Michael caindo morto
-fulminado Jackson
meus olhos
corriam
procurando por ele
em câmera lenta vi
seus lábios beijando
a boca
de outra
guria
Poema sentimental chato e aborrecido
há muito não te via
quando virou o tempo
o que fazía
sem sentido esse silêncio
que nos envolvia
um tesão magnético no pálido
raiar do dia
tu empunhas um cigarro
nas pausas claras da manhã
eu me calo
(culpada)
de não teres ensejos
de te aproximar mais
deparar-se com meu corpo
mole
aquietado
na rede
esperando um
beijo vem a borboleta imprópria
roubar suspiros
você não fala comigo
nem o livro que leio
apaga a chuva
de amanhã
em águas que caem claras-iansã
das pálpebras dos meus olhos
em borrões
de solidão a
dois
quando virou o tempo
o que fazía
sem sentido esse silêncio
que nos envolvia
um tesão magnético no pálido
raiar do dia
tu empunhas um cigarro
nas pausas claras da manhã
eu me calo
(culpada)
de não teres ensejos
de te aproximar mais
deparar-se com meu corpo
mole
aquietado
na rede
esperando um
beijo vem a borboleta imprópria
roubar suspiros
você não fala comigo
nem o livro que leio
apaga a chuva
de amanhã
em águas que caem claras-iansã
das pálpebras dos meus olhos
em borrões
de solidão a
dois
01 julho 2010
oco na garganta
em frente ao
oncologista esparadrapos humanos
mastigando
cachorro-quente por um buraco de metal na garganta eu
me perguntava se
aquelas flores feias no jardim
nasceram ali
por acaso se
o refrigerante vazaria pelo orifício de metal se
sua voz seria como a de um
monstro ou se ele poderia
comer, falar e cuspir
como qualquer um de nós
em frente ao
hospital
esperando
sentado
a sentença
de vida
sem
garganta
oncologista esparadrapos humanos
mastigando
cachorro-quente por um buraco de metal na garganta eu
me perguntava se
aquelas flores feias no jardim
nasceram ali
por acaso se
o refrigerante vazaria pelo orifício de metal se
sua voz seria como a de um
monstro ou se ele poderia
comer, falar e cuspir
como qualquer um de nós
em frente ao
hospital
esperando
sentado
a sentença
de vida
sem
garganta
30 junho 2010
cidra cereser
não adianta nem
morrer
de amor em todas
as paradas de
ônibus alguém vai contar
piadas
sobre
o teto um sol que sua pele
não deseja sua
vida invisível e
vazia como latinhas de
coca na calçada
sua tia sopra cinza
na sua cara alguém ri
da sua camisa
amarrotada não
adianta nem
ir embora se a sua
cabeça fica
no lugar
do estômago bate um
coração
desordenado você tenta
desviar o foco
sempre volta
para as palavras
que carrega
nas costas
entre linhas e
suspenses
quem sabe
um dia
você não leva
um tombo na avenida
de perder os
dentes
morrer
de amor em todas
as paradas de
ônibus alguém vai contar
piadas
sobre
o teto um sol que sua pele
não deseja sua
vida invisível e
vazia como latinhas de
coca na calçada
sua tia sopra cinza
na sua cara alguém ri
da sua camisa
amarrotada não
adianta nem
ir embora se a sua
cabeça fica
no lugar
do estômago bate um
coração
desordenado você tenta
desviar o foco
sempre volta
para as palavras
que carrega
nas costas
entre linhas e
suspenses
quem sabe
um dia
você não leva
um tombo na avenida
de perder os
dentes
29 junho 2010
recorte em sépia
um dia sonhei com meu carro
viajanto ele nunca acabava a gasolina tinha
uma música linda tocando meus cabelos voavam
voavam em slow motion os lábios se mexiam
no carro comendo
milhas sem limite
de felicidade tinha amigos passageiros
momentos inesquecíveis lá dentro tudo
esfumaçado para disfarçar de alegria
o iluminado sol de nossas vidas
que se punha
a buscar a terra prometida num horizonte de cor de amanhã sem sol sem nuvens sem vontade
de fazer xixi
durante o banho
de mar
toda amargua morre na praia
viajanto ele nunca acabava a gasolina tinha
uma música linda tocando meus cabelos voavam
voavam em slow motion os lábios se mexiam
no carro comendo
milhas sem limite
de felicidade tinha amigos passageiros
momentos inesquecíveis lá dentro tudo
esfumaçado para disfarçar de alegria
o iluminado sol de nossas vidas
que se punha
a buscar a terra prometida num horizonte de cor de amanhã sem sol sem nuvens sem vontade
de fazer xixi
durante o banho
de mar
toda amargua morre na praia
26 junho 2010
Diamante Negro
dedico a você todos os bombons desprezados na caixa e a
própria caixa vazia toda
minha petulância e apego às tuas mãos
chegam a me dar pena
tuas pernas trêmulas
chega a me dar ânsia
de enlaçar a minha personalidade
a tua quando bebo vódica
me umbiguilizo pródiga e ambigua digo
com a língua bem
entre os dentes
Lacta
pra morder
te derreter na língua
Umecta
mergulhar o rosto
lamber tuas
lágrimas
Cactus
pra doer na garganta
a saudade
de ti
Águas
de flor
na pele
em
brasas
Sais
de banho e espuma
de cremosidades
espessas
própria caixa vazia toda
minha petulância e apego às tuas mãos
chegam a me dar pena
tuas pernas trêmulas
chega a me dar ânsia
de enlaçar a minha personalidade
a tua quando bebo vódica
me umbiguilizo pródiga e ambigua digo
com a língua bem
entre os dentes
Lacta
pra morder
te derreter na língua
Umecta
mergulhar o rosto
lamber tuas
lágrimas
Cactus
pra doer na garganta
a saudade
de ti
Águas
de flor
na pele
em
brasas
Sais
de banho e espuma
de cremosidades
espessas
25 junho 2010
rainha da paz
ah teus longos cabelos fios de pluma
planam pela superfície rala desses pensamentos
soltos ao léu enfeitiçam
as glândulas
sebácias trabalham mais quando você
chega perto eu me borro toda
em pincéis e tintas
d'água pintam
azul celeste um lago a beira do precipício me precipito aberta repetindo falas que não fazem mais
contornos bonitos
planam pela superfície rala desses pensamentos
soltos ao léu enfeitiçam
as glândulas
sebácias trabalham mais quando você
chega perto eu me borro toda
em pincéis e tintas
d'água pintam
azul celeste um lago a beira do precipício me precipito aberta repetindo falas que não fazem mais
contornos bonitos
22 junho 2010
E se amanhã fosse sábado
com uma ânsia de boca
seca
te quero cheia de dentes
a língua ascesa
como uma rosa
ígnea
exalando perfumados
ahs!
esfrego minha pele
felina
nas farpas da tua
barba
acordo amarrotada
e límpida
para te comer com os olhos
novamente nublados de
tanto
sonhar
seca
te quero cheia de dentes
a língua ascesa
como uma rosa
ígnea
exalando perfumados
ahs!
esfrego minha pele
felina
nas farpas da tua
barba
acordo amarrotada
e límpida
para te comer com os olhos
novamente nublados de
tanto
sonhar
Radicais Livres/ O ósculo analítico
copinhos de danone
amontoados nos
cantos
vazios
labuzam minha
colher
de
plástico
o vaso
combina com os filmes
p&b que a gente
assistia
como
se fossem
nossos
dedos
ávidos se
estralando
enquanto
do sofá ao colchão
espuma e tédio
na televisão
eu só televia
você
fingia
que era hora
de ir só
porque
segurei com força
óbvia
tua mão
macia
e ia
embora
preferisse
ficar
amontoados nos
cantos
vazios
labuzam minha
colher
de
plástico
o vaso
combina com os filmes
p&b que a gente
assistia
como
se fossem
nossos
dedos
ávidos se
estralando
enquanto
do sofá ao colchão
espuma e tédio
na televisão
eu só televia
você
fingia
que era hora
de ir só
porque
segurei com força
óbvia
tua mão
macia
e ia
embora
preferisse
ficar
17 junho 2010
poeira cósmica
seco como se
cheirasse pó
e areia em
tons de terra
na pele como se
transpirasse
pedra em
cada poro por
dentro
lateja
um
derrame
de
caldas
quentes
como se
o sol fosse fogo nos
nossos ossos
vermelhos
e amplos
como se
deus me fizesse em
pedaços
moídos de carne
no açougue e
bebessemos juntos
sangria.
cheirasse pó
e areia em
tons de terra
na pele como se
transpirasse
pedra em
cada poro por
dentro
lateja
um
derrame
de
caldas
quentes
como se
o sol fosse fogo nos
nossos ossos
vermelhos
e amplos
como se
deus me fizesse em
pedaços
moídos de carne
no açougue e
bebessemos juntos
sangria.
16 junho 2010
olheiras profundas
violenta
olha e vê
violetas
afeitam roxas as fendas
das montanhas transpiram nuvens
violinos e varais vazios de roupas
aéreas bate massas de torta
púrpuras amoras silvestres explodem
entre
suas pernas esfregam esperas
de frio
na frágua ascesa do fogão assa
asas de
perdiz.
a agulha espeta o dedo
sangra o que diz e cala vai
melhor quando dança
calada e fecha
melhor as saias tira
as sombranchelhas
olha e vê
violetas
afeitam roxas as fendas
das montanhas transpiram nuvens
violinos e varais vazios de roupas
aéreas bate massas de torta
púrpuras amoras silvestres explodem
entre
suas pernas esfregam esperas
de frio
na frágua ascesa do fogão assa
asas de
perdiz.
a agulha espeta o dedo
sangra o que diz e cala vai
melhor quando dança
calada e fecha
melhor as saias tira
as sombranchelhas
Lúcia Póstuma
Nos primeiros anos colhia-se uvas que depois as mulheres esmagavam com as plantas
dos pés suspendidos pela mão os vestidos. o sol era o mais alto de todos.
Observava calmamente a paisagem de pássaros formando pacientes seus desenhos de céu em vôos sempre mais alto que podia a visão. os outros semeavam a terra, e lhe davam a água, mas o vento e o sol eram dela.
entre seus lábios e os sussuros das árvores havia um riso de dentes muito pequenos que de repente num tombo súbito pelo corredor de piso frio deixava às vezes com uma pocinha de sangue os dentes da frente brotariam mais tarde maiores e mais resistentes que os outros até os ossos quebrados podiam grudar.
esperava a morte de um pardal que agonizava de uma queda. com as palmas suadas os dedos cutucavam o bicho olhava assustado para seu próximo (e último) fôlego...
Depois de uns dias ele iria cheirar tão mal, tão pequeno que ela enterrou mas não
havia flores para
seu pequeno caixão de papel
de carta.
Oligarquicamente quem se servia primeiro eram os irmãos, maiores e úteis. jamais sobrava sobremesa para ela que aprendeu comer escondida os doces semi-prontos. sua delícia secreta era pelar a língua na panela de doce e banhar-se de rio.
quando entrou em um sonho lúcido e mais real que os outros, perguntou aos apóstolos, já tinha 16 anos completos, de onde vinha tanta lama, tanta sujeira?
De você.
então lembrou-se, por milágrimas, quando já corria nas veias miúdas dos braços brancos o veneno. lembrou-se dos pés enfiados na lama gelada entre os dedos fazendo cócegas e o cavalo que quando era pequena sempre corria mais que
o vento.
os olhos, porém, sempre sempre abertos, miravam espumosos o horizonte
de tempo até
rescussitar no hospital pálida de susto, violentada por lavagens estomacais e ingeções de adrenalina.
dos pés suspendidos pela mão os vestidos. o sol era o mais alto de todos.
Observava calmamente a paisagem de pássaros formando pacientes seus desenhos de céu em vôos sempre mais alto que podia a visão. os outros semeavam a terra, e lhe davam a água, mas o vento e o sol eram dela.
entre seus lábios e os sussuros das árvores havia um riso de dentes muito pequenos que de repente num tombo súbito pelo corredor de piso frio deixava às vezes com uma pocinha de sangue os dentes da frente brotariam mais tarde maiores e mais resistentes que os outros até os ossos quebrados podiam grudar.
esperava a morte de um pardal que agonizava de uma queda. com as palmas suadas os dedos cutucavam o bicho olhava assustado para seu próximo (e último) fôlego...
Depois de uns dias ele iria cheirar tão mal, tão pequeno que ela enterrou mas não
havia flores para
seu pequeno caixão de papel
de carta.
Oligarquicamente quem se servia primeiro eram os irmãos, maiores e úteis. jamais sobrava sobremesa para ela que aprendeu comer escondida os doces semi-prontos. sua delícia secreta era pelar a língua na panela de doce e banhar-se de rio.
quando entrou em um sonho lúcido e mais real que os outros, perguntou aos apóstolos, já tinha 16 anos completos, de onde vinha tanta lama, tanta sujeira?
De você.
então lembrou-se, por milágrimas, quando já corria nas veias miúdas dos braços brancos o veneno. lembrou-se dos pés enfiados na lama gelada entre os dedos fazendo cócegas e o cavalo que quando era pequena sempre corria mais que
o vento.
os olhos, porém, sempre sempre abertos, miravam espumosos o horizonte
de tempo até
rescussitar no hospital pálida de susto, violentada por lavagens estomacais e ingeções de adrenalina.
15 junho 2010
Averno
bem conservados em latas deisel duas da manhã na loja de convivenicências os jovens apertados nos banheiros uns restos de rostos moídos sempre sujos nos cantos obscuros da privada e da pia uma sujeirinha que não sai do imaginário popular.
As moças sabiam se locomover através de umbigos untados de alergias aos piercings e chupando cigarros com pós brancos na bolsa, no nariz e nos rostos ocupados sentei ao teu lado mas até hoje mesmo quando me mostra seus truques bobos de mágica tão só reparo nos olhos de água líquida escorrendo meio amarelados garganta adentro algo que parecia ser cerveja.
Queria abraçar com dentes moles as nuvens até a janela lacrada do avião ingerindo tóxicos iogurtes semi-desnatados com café preto como o fundo de xícaras vazias e caladas todas as mulheres iam de um lado ao outro em uma enorme e grandiosa marcha em direção ao mictório e todas, eu disse, todas estavam infelizes, afinal, eram quase quatro da manhã em pares de pernas roxas de frios e lábios ressecados seguiam chupando cigarro.
A madrugada é dela, só dela.
Queria sentir-me bem apenas deixei estar a porta do carro apenas encostada ao lado tinha um som ruim muito alto como os saltos das meninas sabiam se interporem nos intervalos entre os dentes de metal rangendo as articulações expostas seria tão lento e mórbido quanto o ar pesado que todos respiravam juntos pois também os peixes não enxergam a opacidade do meio em que vivem,
O ar de urânio e chumbo era invisivel para nossas míopes percepções argutas e todos respiravam aliviados a densidade de seus próprios abismos porque no tártaro o tempo é elástico ao infinito cheio de rancores, vinganças, remorsos e memórias inventadas.
mas os jovens sempre velhos cansados cheiravam talco em creme e gasolina embaixo de axilas fustigadas pelos sabonetes ásperos de hoje em dia.
no futuro irreal que era passado e além de todas aquelas brigas, mini-saias dançavam cada vez mais bezuntados de vaselina se expunham indiscretas em faces distorcidas como gastos espelhos de bar impossível me escondia entre as pernas incompletas da mulher de preto engolindo pílulas que você se tornou.
nada mais horripilante que os sorrisos na hora do gozo e a histeria coletiva que vem com o seu saquinho de ruffles, catchup e long-necks nacionais pra mastigar palavrões trident ter em hálito hipnótico e mais bonito.
As moças sabiam se locomover através de umbigos untados de alergias aos piercings e chupando cigarros com pós brancos na bolsa, no nariz e nos rostos ocupados sentei ao teu lado mas até hoje mesmo quando me mostra seus truques bobos de mágica tão só reparo nos olhos de água líquida escorrendo meio amarelados garganta adentro algo que parecia ser cerveja.
Queria abraçar com dentes moles as nuvens até a janela lacrada do avião ingerindo tóxicos iogurtes semi-desnatados com café preto como o fundo de xícaras vazias e caladas todas as mulheres iam de um lado ao outro em uma enorme e grandiosa marcha em direção ao mictório e todas, eu disse, todas estavam infelizes, afinal, eram quase quatro da manhã em pares de pernas roxas de frios e lábios ressecados seguiam chupando cigarro.
A madrugada é dela, só dela.
Queria sentir-me bem apenas deixei estar a porta do carro apenas encostada ao lado tinha um som ruim muito alto como os saltos das meninas sabiam se interporem nos intervalos entre os dentes de metal rangendo as articulações expostas seria tão lento e mórbido quanto o ar pesado que todos respiravam juntos pois também os peixes não enxergam a opacidade do meio em que vivem,
O ar de urânio e chumbo era invisivel para nossas míopes percepções argutas e todos respiravam aliviados a densidade de seus próprios abismos porque no tártaro o tempo é elástico ao infinito cheio de rancores, vinganças, remorsos e memórias inventadas.
mas os jovens sempre velhos cansados cheiravam talco em creme e gasolina embaixo de axilas fustigadas pelos sabonetes ásperos de hoje em dia.
no futuro irreal que era passado e além de todas aquelas brigas, mini-saias dançavam cada vez mais bezuntados de vaselina se expunham indiscretas em faces distorcidas como gastos espelhos de bar impossível me escondia entre as pernas incompletas da mulher de preto engolindo pílulas que você se tornou.
nada mais horripilante que os sorrisos na hora do gozo e a histeria coletiva que vem com o seu saquinho de ruffles, catchup e long-necks nacionais pra mastigar palavrões trident ter em hálito hipnótico e mais bonito.
11 junho 2010
Sr. Elevador de Moares
e a vidinha, bem?
da medate do casco que já afundou
falo da outra que está em chamas. não deu mais notícias...trabalhando até as tampa?
é. e tu?
eu to indro pro Amapá, desposar um ianomami.
ai, que rrrico!
que nada!
me traz uma miçanga.
te trago malária, provavelmente, um
descongestionador de vias
nasais
desregularizado pela alfândega
isso. pura purpurina!
estou mais latente hoje meio lanteijoulas.
da medate do casco que já afundou
falo da outra que está em chamas. não deu mais notícias...trabalhando até as tampa?
é. e tu?
eu to indro pro Amapá, desposar um ianomami.
ai, que rrrico!
que nada!
me traz uma miçanga.
te trago malária, provavelmente, um
descongestionador de vias
nasais
desregularizado pela alfândega
isso. pura purpurina!
estou mais latente hoje meio lanteijoulas.
(on the road)
a gente sai escurecendo
a pé porque
trôpegos e apegados aos
fichários
de faculdade a noite flutua lenta
fumaça azul de fogo entre teus
lábios o alumínio da
cerveja
nos arbustos me ergue a blusa
e chupa meus
cigarros
sem filtro bom mesmo
é te arrancar sorrisos
escandalosamente
quietos que só
nossos olhos se
entendem
a pé porque
trôpegos e apegados aos
fichários
de faculdade a noite flutua lenta
fumaça azul de fogo entre teus
lábios o alumínio da
cerveja
nos arbustos me ergue a blusa
e chupa meus
cigarros
sem filtro bom mesmo
é te arrancar sorrisos
escandalosamente
quietos que só
nossos olhos se
entendem
10 junho 2010
Sociedade dos Solitários Anônimos SSA
a sombra de uma aranha
passa entre as minhas pernas
abertas as janelas uivam de prazer
ainda mais sutil que as teias que traço
perseguindo pessoas
que são como
nós
na garganta.
o professor de iídiche pega
erva na esquina do edifício Piazza dei Fiore
como um vulto de morcego sempre gelados
os dedos e os bigodes do professor tremem por um gole de fumaça
alucinógena que não lhe oferem mais
desde os
tempos de
faculdade
passa entre as minhas pernas
abertas as janelas uivam de prazer
ainda mais sutil que as teias que traço
perseguindo pessoas
que são como
nós
na garganta.
o professor de iídiche pega
erva na esquina do edifício Piazza dei Fiore
como um vulto de morcego sempre gelados
os dedos e os bigodes do professor tremem por um gole de fumaça
alucinógena que não lhe oferem mais
desde os
tempos de
faculdade
09 junho 2010
Libélaluias
dentro do sol
incandescente nasce
um menino morto
ressurge de suas cinzas de
cigarro teus
dedos frágeis respirações
me arrepiam
a pele dos
ombros
as águas
sujas que o céu lavou cai nas plantas
dos meus pés molhados
pisam em pétalas
de flores estampadas no tapete da sala
dela a saia voa
sobre os joelhos cortados gotega uma poça de sangue de ferida
em flor forma uma
estrela de pus
Amarela e branca
como o sol da manhã
uma ernome coroa de Luz
na palma da tua mão
aberta
pousa uma libélula
que jamais serás Aleluia!
entretanto nos dias de chuva
Chora um silencio rompido
apenas
pelo
zunir
das asas
dela
incandescente nasce
um menino morto
ressurge de suas cinzas de
cigarro teus
dedos frágeis respirações
me arrepiam
a pele dos
ombros
as águas
sujas que o céu lavou cai nas plantas
dos meus pés molhados
pisam em pétalas
de flores estampadas no tapete da sala
dela a saia voa
sobre os joelhos cortados gotega uma poça de sangue de ferida
em flor forma uma
estrela de pus
Amarela e branca
como o sol da manhã
uma ernome coroa de Luz
na palma da tua mão
aberta
pousa uma libélula
que jamais serás Aleluia!
entretanto nos dias de chuva
Chora um silencio rompido
apenas
pelo
zunir
das asas
dela
lua de gelo
a noite o bosque acolhe
o grito
do morcego em
grutas ecos nocturnos
num ritmo de sonho meu corpo estica até tocar
o vermelho sanguinolento do vinho em que bebe a luxúria dos lábios
delas em taças
perfeitamente cristalinos seus sorrisos mergulham-me na demência
dessas
mulheres
violentadas seguem-me no bosque
até a taverna onde brindamos
seus frios espectros
espelhados em belas damas
tão formosas formas fantasmagóricas
corrompidas todas elas
querem um gole de vida
feito
vampiras esperam
pasmas que me enamore delas
nos olhinhos mortos
e peles transparentes
eu vejo através risos e escárnios
como luzes que não se apagam
dançam em círculo
sedentas de mim beijam
e sugam
à minha boca oferem os seios em coro de tumba
eu as devoro
até me lambuzar volto pra casa debruço
sobre
o cadafalso
meu presente se torna uma
hipnose fosforescente
e acordo
de susto
as mulheres mortas de ontem parecem vivas
lembranças que passam através de um sonho como se
não me vissem
e quem morre sou
eu.
o grito
do morcego em
grutas ecos nocturnos
num ritmo de sonho meu corpo estica até tocar
o vermelho sanguinolento do vinho em que bebe a luxúria dos lábios
delas em taças
perfeitamente cristalinos seus sorrisos mergulham-me na demência
dessas
mulheres
violentadas seguem-me no bosque
até a taverna onde brindamos
seus frios espectros
espelhados em belas damas
tão formosas formas fantasmagóricas
corrompidas todas elas
querem um gole de vida
feito
vampiras esperam
pasmas que me enamore delas
nos olhinhos mortos
e peles transparentes
eu vejo através risos e escárnios
como luzes que não se apagam
dançam em círculo
sedentas de mim beijam
e sugam
à minha boca oferem os seios em coro de tumba
eu as devoro
até me lambuzar volto pra casa debruço
sobre
o cadafalso
meu presente se torna uma
hipnose fosforescente
e acordo
de susto
as mulheres mortas de ontem parecem vivas
lembranças que passam através de um sonho como se
não me vissem
e quem morre sou
eu.
VIII -de como fui morar com Pedro
ingeríamos juntos todos
os dias almoço
na casa dele eu tinha até
escova
de dentes
e desinfetava os
sapatos com
cândida meus
hábitos
exdrúxulos como os de
morder as próprias unhas
dos pés
fazíamos amor ele gostava que
lambesse os mamilos e chupasse
os pêlos enroscados na língua faziam cócegas mas sempre soube ser
séria.
os dias almoço
na casa dele eu tinha até
escova
de dentes
e desinfetava os
sapatos com
cândida meus
hábitos
exdrúxulos como os de
morder as próprias unhas
dos pés
fazíamos amor ele gostava que
lambesse os mamilos e chupasse
os pêlos enroscados na língua faziam cócegas mas sempre soube ser
séria.
VII - Passagens
as passagens
valem para os
dias em que
as pernas
moles escorrem nos metrôs de
santana até paraíso alguém ao seu lado pode ser um
portador de necessidades especiais ou
maníaco pelas
entranhas da cidade escuro e frio somente reflexos pálidos na janela que dá pra
parede
as passagens também podem ser para
sua casa
sozinha ver tv e jantar
em frente ao pc procurando um amor virtual com o maníaco
portador de necessidades ou mesmo
o Pedro
em seu caminho
as passagens nunca são
para fora
daqui
não vão para
fora
jamais saem dos trilhos os
metrôs
valem para os
dias em que
as pernas
moles escorrem nos metrôs de
santana até paraíso alguém ao seu lado pode ser um
portador de necessidades especiais ou
maníaco pelas
entranhas da cidade escuro e frio somente reflexos pálidos na janela que dá pra
parede
as passagens também podem ser para
sua casa
sozinha ver tv e jantar
em frente ao pc procurando um amor virtual com o maníaco
portador de necessidades ou mesmo
o Pedro
em seu caminho
as passagens nunca são
para fora
daqui
não vão para
fora
jamais saem dos trilhos os
metrôs
04 junho 2010
VI
No baile as máscaras e os anjos revestidos de expressões extremamente
etéreas se moviam entre sorrisos o seu não podia soar sincero
cravados em gesso
todos os corações e
Pedra
dançavam juntos no meio da pista ele perguntava se
seu serviço era bom ela
só queria abrir
a janela anunciava a noite mais longa e triste
do ano
o disco enroscava no seu trecho preferido
ele a cansava sempre estava fraca
a pilha
do seu mp3
antes de se despedirem para
sempre ela
observava como antes de
amanhecer o púrpura se condensa em
aurora
etéreas se moviam entre sorrisos o seu não podia soar sincero
cravados em gesso
todos os corações e
Pedra
dançavam juntos no meio da pista ele perguntava se
seu serviço era bom ela
só queria abrir
a janela anunciava a noite mais longa e triste
do ano
o disco enroscava no seu trecho preferido
ele a cansava sempre estava fraca
a pilha
do seu mp3
antes de se despedirem para
sempre ela
observava como antes de
amanhecer o púrpura se condensa em
aurora
01 junho 2010
V
ela bebe moléculas de
sol
com a boca entreaberta
descobre
no recado da secretária
o estoquista do
supermercado
se chama Pedro.
sol
com a boca entreaberta
descobre
no recado da secretária
o estoquista do
supermercado
se chama Pedro.
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