mas acontece que
me apaixonei
pelos olhos negros
de Tobias.
Tobias e suas fobias, por onde ia
levava aquela mania
de solidão
enamorei-me de teus dedos
e do delicado de tuas mãos
Tobias,
nosso encontro que não durou um orgasmo
mas o fato é que já estava apaixonada
por tua medicina, teus olhos taciturnos,
tua arte oculta, pela magia das notas brutas
da tua guitarra
Tobias tinha
doce nos lábios
e lisergia
nas pupilas dilatadas
uma respiração ofegada
e foi tudo
que tivemos...
&&&
mas acontece que
me apaixonei
pelos olhos negros
de Tobias.
Tobias e suas fobias, por onde ia
levava aquela mania
de solidão
enamorei-me de teus dedos
e do delicado de tuas mãos
Tobias,
nosso encontro que não durou um orgasmo
mas o fato é que já estava apaixonada
por tua medicina, teus olhos taciturnos,
tua arte oculta, pela magia das notas brutas
da tua guitarra
Tobias tinha
doce nos lábios
e lisergia
nas pupilas dilatadas
uma respiração ofegada
e foi tudo
que tivemos...
&&&
O dia que não devia ter sido
o cinema em que você ia
fechou
e o livro que não releu leu
perdeu
e a padaria
do seu Genaro
mudou...
quer comprar cigarro
precisa de um carro
novo seu filho mais velho não
se parece mais
com seus planos
suas sacolas pesadas
o lixo pra recolher
as moças bonitas da praia
são gays...
em sua cabeça
o universo cifrado
na sua rala sopa
um fiapo
sua mulher já é outra
mais velha, mais feia, mais gorda
não é mais a mesma moça
que te sorriu à janela
agora quando te acena
é só pra lhe fazer pilhéria
seus dias engravidaram
geraram um natimorto
o tigre meteu suas garras
em seu pobre pescoço
agora enforcado
sufocando
de seus próprios problemas
encara a velha figueira
e pensa
neste pobre
poema...
um poema para quem se fodeu
um poema que é problema seu
&&&
o artista prosaico
o poeta de bairro
de Barros
de Castro
Camus
os artistas da lapa
as cervejas na lata
fumaça na chapa
e todos comemoram juntos
o ocaso na ocasião perfeita
o dia
da guarida
o fim
da reunião
o poeta sente seus bolsos furados
e encontra desculpas nisso
tudo é desculpável
a culpa
é só uma lupa
para enxergar as letras miúdas
da cláusula pestilenta
do fato
a morte
é rápida e
a vida é morte lenta
cada culpa gera um novo poema
e nosso crime é simplesmente
existir
insistir na existência
degustar alegrias esplêndidas
em garrafas efêmeras
de coca quente
e sem gás...
&&&
30 abril 2013
Lacrimosa
o anjo goza
arrumando a franja
arfando as asas
sua porra é
rosa
e embriagante
oh que blasfêmia!
oh, temerosa,
a trombeta dourada
do anjo toca
anunciando seu plêno
prazer que não sendo
efêmero
é um eterno nas alturas,
hosana!
&&&
perguntei à plantaque alquimia santafazia transformar em flor a folha
precipitei-me ao precipício
caí de amores no orifício
central da terra
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
perguntei à menina
mas há um eterno:
de cabelos longos
quantos santos
encontros
ele havia tido com deus
respondeu-me que seu deus era ela
um quadro amarelado de aquarela
que o tempo corroeu
quem sou eu? quem é a bela
recostada à janela
esgotando
sorrisos gastos?
o anjo goza
arrumando a franja
arfando as asas
sua porra é
rosa
e embriagante
oh que blasfêmia!
oh, temerosa,
a trombeta dourada
do anjo toca
anunciando seu plêno
prazer que não sendo
efêmero
é um eterno nas alturas,
hosana!
&&&
perguntei à plantaque alquimia santafazia transformar em flor a folha
precipitei-me ao precipício
caí de amores no orifício
central da terra
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
perguntei à menina
mas há um eterno:
de cabelos longos
quantos santos
encontros
ele havia tido com deus
respondeu-me que seu deus era ela
um quadro amarelado de aquarela
que o tempo corroeu
quem sou eu? quem é a bela
recostada à janela
esgotando
sorrisos gastos?
05 março 2013
Um outro significado para palavra chá
Antes, eu passava os dias varando as noites
antes, eu sabia por onde meus pés iriam caso estivessem bêbados demais para voltarem cambaleantes pra casa...
antes, a cachaça era barata e o trago era bom.
mas os dias passaram e eu parei por
pura preguiça, ela enguiça a preguiça enche a praça de lisergia
e os meus dias de coloridos letárgicos, esmoreço na mesma velocidade da gota de suor que escorre por suas costas sensuacínicas...
e quando menos espero deparo-me com minha própria sombra dizendo que esqueci os óculos em cima do banco da moto outra vez e não sei bem
se foi um sonho ou se sempre estive acordado
e o que chamo vida é sonho
e o que chamo de sonho é sono atordoado
viverei em desvario, darei mais um tiro e um trago no chá...
poemas soltos II
amanhece o dia vazio
amanhece na pele feito arrepio]
dentro da barriga uma nuvem negra
se agita: raios, trovões e calafrios
a pólvora dentro do barriu chia faísca no peito
um chiado fino
o dia vazio é vil e está cheio de solidão
repleto feito um feio Pântano envolto ao lodo, um consolo:
na lama escrevo o nome da dama
casada, dama desalmada, que me dá seu corpo
e diz que não deve nada...
ela vem sanguinolenta a boca sangra coisas invisíveis
ela vem de dreads vem de carona vem com um brinco de urso e um brilho no dente
ela esteve na mata silente, no seio da selva. bebeu peixes e comeu plantas
comeu da terra santa que a planta do seu pé pisou...
e quando vai meio onda meio cabisbaixa
quem segura a sua mão, no meio da música, no meio da multidão, em silêncio, em êxtase e meditação, seu quarto diz: metade é fuga,
outra metade ilusão.
amanhece na pele feito arrepio]
dentro da barriga uma nuvem negra
se agita: raios, trovões e calafrios
a pólvora dentro do barriu chia faísca no peito
um chiado fino
o dia vazio é vil e está cheio de solidão
repleto feito um feio Pântano envolto ao lodo, um consolo:
na lama escrevo o nome da dama
casada, dama desalmada, que me dá seu corpo
e diz que não deve nada...
ela vem sanguinolenta a boca sangra coisas invisíveis
ela vem de dreads vem de carona vem com um brinco de urso e um brilho no dente
ela esteve na mata silente, no seio da selva. bebeu peixes e comeu plantas
comeu da terra santa que a planta do seu pé pisou...
e quando vai meio onda meio cabisbaixa
quem segura a sua mão, no meio da música, no meio da multidão, em silêncio, em êxtase e meditação, seu quarto diz: metade é fuga,
outra metade ilusão.
poemas soltos
Qual é o nome do abismo em que resvalam os orgulhosos?
Qual é o nome do buraco horrível em que se encerram os sonhos?
Qual é a música que embala o mórbido silêncio da tumba?
Quero fogo e chuva! E o leitoso deleite da lua
Quero lançar-me nua para receber meu próprio corpo
que se descomponha
que se decomponha e, envolto à impermanência da rosa que murcha e renasce em outra rosa, que eu possa
beijar os doces lábios de Shiva, dançar minha própria
destruição...
&&&
Não resisto a uns bons olhos molhados
ao coração que se aquece nessa facilidade toda.
Não resisto ao seu corpo que treme e assume,
a essa necessidade de revanche da pele.
Não resisto a suas mãos que trêmulas conhecem
os meus caminhos mais íntimos não resisto
a sua língua, sequer ao cheiro de dentro da sua boca.
Mas se fico louca, oca, insossa. Não resisto e quebro.
Te perco, te perdoo e te esqueço, brasa fria, como um monte de sujeira em cima da pia do banheiro.
&&&
Empresta-me o que resta dessas tuas frestas que esqueces abertas
só para que pernilongos passem e venham te chupar, durante toda a noite, ao luar...
Na madrugada, alguém pergunta e não houve nada. Durante o dia, penduro os ponteiros de uma agonia
asmática e revejo fotos, roendo as unhas, roendo as horas
uns bons tragos já não me trazem nada...
apenas um pesadelo ou sonho ansiolítico me fazem dormir
ao longo de toda minha vida
as mulheres bonitas, que jamais terei entre
riscos rabiscos e nada disso! que um elevador mecânico me leve ao cume de um engano cínico e esses seus cabelos cor de ferrugem fustigam-me
escrevo e freio quase esmagando a cabeça do gato
quase esmagando a cabeça no vácuo eu não vi e nem vejo
o rastro do felino ferido na estrada, e sigo distraído pensando nos vestidos floridos que voam e no perfume de cada flor desabrochada que jamais sentirei...
segundo freud segundo por segundo...
desvio dos abismos mas sempre caio
no desabsurdo de mim...
27 julho 2012
esse mal me envenenou
sua seringa
injetada projetou
amor e quando findou meu vestido
se amofinou
que esse mal ainda
não passou
os amigos perdem a graça
o trem
esfumando a praça
e a festa já estava no fim
quando ele chegou...
me abraça, mas são braços de outros
me esforço, mas o cansaço vem
e tudo convence a parar
pra descansar
nas raízes de uma árvore antiga
que me diga que está tudo
bem
e que mesmo se ele voltasse
gentil me viesse sorrir
não valeria a pena
aquietar-me serena
em seus lábios
em seus cheiros...
já não seria nada além
de um mal de amor...
sua seringa
injetada projetou
amor e quando findou meu vestido
se amofinou
que esse mal ainda
não passou
os amigos perdem a graça
o trem
esfumando a praça
e a festa já estava no fim
quando ele chegou...
me abraça, mas são braços de outros
me esforço, mas o cansaço vem
e tudo convence a parar
pra descansar
nas raízes de uma árvore antiga
que me diga que está tudo
bem
e que mesmo se ele voltasse
gentil me viesse sorrir
não valeria a pena
aquietar-me serena
em seus lábios
em seus cheiros...
já não seria nada além
de um mal de amor...
tarde amena de sol
dorme um anjo
tranquilo
em sua nuvem
passageira
brincam as
ninfas com o vento
em brisas
de caramelo
e menta
borboletas experimentam
o sabor nos néctares
com a ponta dos
dedos finos
dos pés
o vestido gira
florido
o samba sua
devagarinho
na curva sorridente
das suas costas
descem e sobem
insinuadas
uma janela se abre
pro aroma das
flores
seus cílios
captam em silêncio
o burburinho
de asas
de moscas
na cozinha
seu iogurte talha
desde manhã
esquecido
o seu café esfria
o suco perde a vitamina
o pão murcho com a
manteiga derretida
o anjo sacode-se
em tempestade
as borboletas voam aflitas
as ninfas
desapontadas
com a ponta dos pés
saem
de fininho
e o seu vestido molhado
no samba
devagarinho
é o único que
me continua
sorrindo...
dorme um anjo
tranquilo
em sua nuvem
passageira
brincam as
ninfas com o vento
em brisas
de caramelo
e menta
borboletas experimentam
o sabor nos néctares
com a ponta dos
dedos finos
dos pés
o vestido gira
florido
o samba sua
devagarinho
na curva sorridente
das suas costas
descem e sobem
insinuadas
uma janela se abre
pro aroma das
flores
seus cílios
captam em silêncio
o burburinho
de asas
de moscas
na cozinha
seu iogurte talha
desde manhã
esquecido
o seu café esfria
o suco perde a vitamina
o pão murcho com a
manteiga derretida
o anjo sacode-se
em tempestade
as borboletas voam aflitas
as ninfas
desapontadas
com a ponta dos pés
saem
de fininho
e o seu vestido molhado
no samba
devagarinho
é o único que
me continua
sorrindo...
dentro do seu olho escuro
caminhei sozinho
cuspi em paralelepípedos
atravessei os degraus
de ascensão
zombei de suas luminárias elétricas
da sua mania de perseguição
dos medo ancestrais das trevas,
dos vagabundos, raptores
e prostitutas ébrias
abrigadas em seus bares e porão...
dentro do olho escuro da noite
descobri malícia
um pouco de doçura amanhecida
e nenhum conforto
atroz a noite atropelou
meus sentimentos
com suas ladies que brilham
no escuro com seus
cavalheiros
gentis em demasia
dão-me ansiedade, ódio
e asia
nesta cidade prefiro a grama
ao firmamento...
prefiro correr perigo dentro do olho do cu
das suas ruas e das suas vielas
sem saída...
noite mal agradecida que desejo
com a pressa
de quem espera
um beijo
suave e apodrecido
derretendo-se nas gengivas
como um veneno
que brindamos aos nossos vícios
terrenos,
à lama que brinda nossa pele
e nos purifica, então,
de madrugada,
brotamos uma orquídea
pálida a padecer no luar...
melancolia é teu manto
e despido teu corpo faz
infinitas curvas, noite, noite...
toma meu líquido
e dá-me da tua fonte sóbria de prazeres
deixa-me currar-te,
sorrateira,
noite, o olho da noite
escuro,
sujo,
delicioso...
bebe-me em goles suaves
de adrenalina...
engole o lobo voraz que habita
dentro de mim
dentro da minha
pupila.
caminhei sozinho
cuspi em paralelepípedos
atravessei os degraus
de ascensão
zombei de suas luminárias elétricas
da sua mania de perseguição
dos medo ancestrais das trevas,
dos vagabundos, raptores
e prostitutas ébrias
abrigadas em seus bares e porão...
dentro do olho escuro da noite
descobri malícia
um pouco de doçura amanhecida
e nenhum conforto
atroz a noite atropelou
meus sentimentos
com suas ladies que brilham
no escuro com seus
cavalheiros
gentis em demasia
dão-me ansiedade, ódio
e asia
nesta cidade prefiro a grama
ao firmamento...
prefiro correr perigo dentro do olho do cu
das suas ruas e das suas vielas
sem saída...
noite mal agradecida que desejo
com a pressa
de quem espera
um beijo
suave e apodrecido
derretendo-se nas gengivas
como um veneno
que brindamos aos nossos vícios
terrenos,
à lama que brinda nossa pele
e nos purifica, então,
de madrugada,
brotamos uma orquídea
pálida a padecer no luar...
melancolia é teu manto
e despido teu corpo faz
infinitas curvas, noite, noite...
toma meu líquido
e dá-me da tua fonte sóbria de prazeres
deixa-me currar-te,
sorrateira,
noite, o olho da noite
escuro,
sujo,
delicioso...
bebe-me em goles suaves
de adrenalina...
engole o lobo voraz que habita
dentro de mim
dentro da minha
pupila.
Cidade dorme
enquanto a cidade dorme,
desperto à substâncias mais vazias
a paleta de cores
frias diz apenas
aos silêncios mansos
que não
fustigam...
desperto à substâncias mais vazias
a paleta de cores
frias diz apenas
aos silêncios mansos
que não
fustigam...
o que os olhos não vêem
devoro com os dedos
sujos
de maionese
o leito
o leite
a mão
a margarida
o que meu coração não sente
devoro com boca
de gula
e sobeja...
o rio
o riso
a unha
o paraíso
o que os olhos não vêem
é o que mais desejo
sujo
em segredo
a pele
o pelo
o grito
a margarida
o que meu coração não sente
cuspo com a boca
seca
de desprezo...
o fim
o sim
enfim
te esqueço...
devoro com os dedos
sujos
de maionese
o leito
o leite
a mão
a margarida
o que meu coração não sente
devoro com boca
de gula
e sobeja...
o rio
o riso
a unha
o paraíso
o que os olhos não vêem
é o que mais desejo
sujo
em segredo
a pele
o pelo
o grito
a margarida
o que meu coração não sente
cuspo com a boca
seca
de desprezo...
o fim
o sim
enfim
te esqueço...
pequenas unhas de aço finas
em torno da sua
garganta
dentro e fora
das curvas da sua língua
bolas de ranho foram
engolidas
num riso
estranho
o rosto
afogado
não faz barulhos
os sons são muito altos dentro do crânio ecoam gigantescos
e assustadores sussurros e assoares de narizes...
minha cabeça dói, ela diz
que atrás do olho direito se a luz penetra
diretamente em sua pupila
sente sono
sente sede
sente que fede
cada dia mais
um pouco
pútrida...
tão belo seu rosto, seu olhar...
agora sem fôlego e sem cigarros,
prestes a sucumbir às trevas daquelas ruas sem iluminação pública adequada,
uma rajada de vento sopra a oeste trazendo pressentimentos tão obscuros quanto a vastidão de crateras desta via.
entre silenciosos cães esquálidos da madrugada
sua imagem de
olhos esbugalhados
com o nariz coberto de sangue vivo como hibisco a sorrir para o sol
a tossir e torcer o lencinho
delicado com
suas mãos frias
me fez tremer os lábios
eu, que sequer sei seu nome,
vejo passar tão magnífica vida
dentro desses
olhos enormes
poderia gritar
poderia
mas a profunda beleza
desses girassóis amarelos dentro de você
me cala
em torno da sua
garganta
dentro e fora
das curvas da sua língua
bolas de ranho foram
engolidas
num riso
estranho
o rosto
afogado
não faz barulhos
os sons são muito altos dentro do crânio ecoam gigantescos
e assustadores sussurros e assoares de narizes...
minha cabeça dói, ela diz
que atrás do olho direito se a luz penetra
diretamente em sua pupila
sente sono
sente sede
sente que fede
cada dia mais
um pouco
pútrida...
tão belo seu rosto, seu olhar...
agora sem fôlego e sem cigarros,
prestes a sucumbir às trevas daquelas ruas sem iluminação pública adequada,
uma rajada de vento sopra a oeste trazendo pressentimentos tão obscuros quanto a vastidão de crateras desta via.
entre silenciosos cães esquálidos da madrugada
sua imagem de
olhos esbugalhados
com o nariz coberto de sangue vivo como hibisco a sorrir para o sol
a tossir e torcer o lencinho
delicado com
suas mãos frias
me fez tremer os lábios
eu, que sequer sei seu nome,
vejo passar tão magnífica vida
dentro desses
olhos enormes
poderia gritar
poderia
mas a profunda beleza
desses girassóis amarelos dentro de você
me cala
queria ter tocado teu
ventre como
os anjos dedilham
arpas
devia saber dos riscos
dos corpos
dos poros que se abrem
aos mais inusitados
desejos
podia ter te beijado a boca
e calado com a minha língua
o que dizias
e eu nem
prestava atenção...
acima de tudo
sabia
que um dia
enroscarias
tua mão a minha
sem
ardor
sem
dor
sem
devoção
ventre como
os anjos dedilham
arpas
devia saber dos riscos
dos corpos
dos poros que se abrem
aos mais inusitados
desejos
podia ter te beijado a boca
e calado com a minha língua
o que dizias
e eu nem
prestava atenção...
acima de tudo
sabia
que um dia
enroscarias
tua mão a minha
sem
ardor
sem
dor
sem
devoção
fora do beijo o eixo pretendido
múltiplos desejos um soco no queixo
e o sexto duplo sentido
cai, quebra sua cara de pau,
pau pedra tesoura é banal
ouvi dizer que agora sua cultura é
hipster
mandei fazer bandeira para quem não pode ser
manuel
tossir na escarradeira a escada traiçoeira
tropeço e meço o sexo do
manuel
acordo de fogo em plena festa de sexta-feira
foco o cabra no banheiro derramando seu xixi derradeiro
o pó, o pé, forró, for all.
forró for all night long baby...
cinco minutos desse silêncio valem mais que a imensidão
esses caras são do veneno
não conhecem a ingratidão
borraram o chão do mundo com seus passos descalços
escorregam na escadaria
tropeçam no mundo
quebram em um segundo
ossos de vidro
nossos ouvidos
se rompem em múltiplos desejos
nessa silenciosa imensidão...
múltiplos desejos um soco no queixo
e o sexto duplo sentido
cai, quebra sua cara de pau,
pau pedra tesoura é banal
ouvi dizer que agora sua cultura é
hipster
mandei fazer bandeira para quem não pode ser
manuel
tossir na escarradeira a escada traiçoeira
tropeço e meço o sexo do
manuel
acordo de fogo em plena festa de sexta-feira
foco o cabra no banheiro derramando seu xixi derradeiro
o pó, o pé, forró, for all.
forró for all night long baby...
cinco minutos desse silêncio valem mais que a imensidão
esses caras são do veneno
não conhecem a ingratidão
borraram o chão do mundo com seus passos descalços
escorregam na escadaria
tropeçam no mundo
quebram em um segundo
ossos de vidro
nossos ouvidos
se rompem em múltiplos desejos
nessa silenciosa imensidão...
Vaníla
o beijo escondido em cada boca
o sorriso de cor invisível
das palavras que
o medo profundo de mergulhar
em um timbre imperceptível aos olhos
de ir tão longe e tão distante das tristes tentativas de reter os raios de sol no telhado
ou qualquer conversa
esconde
as primeiras verdades, primaveras.
chover cada vez que a chuva passa por mim
rezar quando a mais simples e pura gentileza me parecer divina e
correr com os lobos selvagens das montanhas
quando a lua enfim convocar sua filha
11 julho 2012
Mas e ae, cara, como que cê tá?
Ah, porra, sei lá...
Sei. Gerundiando.
Isso mesmo. Estudando, trampando. Fazendo os corres da vida. E você?
Eu to enlouquecendo. Ontem mesmo, vi um extra-terrestre.
Cê tá de sacanagem?
Claro que tô. Mas a pira de enlouquecer é verdadeira. Tipo, medo de sair de casa. Já teve? Então, esse lance de olhar as pessoas me olhando, eu saio a tarde e tomo um suco de laranja. Pra não enlouquecer. Mas eu faço isso porque já estou louco. Tomo o suco e sumo, vou pra casa, ler. Mas ao mesmo tempo sinto falta de alguém.
Sei.
Sinto falta de mim mesmo.
E a aquela guria que tu catava?
O lance do extraterrestre, é sério. Nós dois vimos. Tamo junto ainda, por incrível que pareça.
Ela é gata.
Ela é gata.
Bom, eu vou almoçar. Vai ficar por aí?
Opa, claro que não. Vamos.
E esse lance dos ETs muararáaa...
Tu ri mas é serião. A Maíra tava saindo do banho...
Do banho? Puta, ela é gata.
Ela é gata.
Mas conta, porra!
Ah, então. Eu tinha saído pra comprar nossa larica vespertina e deixei as chaves na mesa da cozinha, veja bem, na mesa da cozinha, não tranquei porque a gente não tem essas nóias. Só fechei o cadeado. Quando voltei, o portão estava trancado, normal. Mas a chave estava na fechadura e achei estranho porque a Maíra ainda estava no banho, acontece que ela me viu ficar o tempo todo no quarto, até conversou comigo, de dentro do box, o problema, meu amigo, é que fui comprar cigarros, pão, café e queijo. E eu tenho certeza de que estava na padaria e ela tem certeza de que eu estava no quarto, falando com ela enquanto tomava banho. E quando entrei pela porta totalmente estranhando o fato da chave estar na fechadura ela achou que eu tinha saído apenas pra beber um copo d'água.
Sinistro.
O mais sinistro é que nenhum dos dois se deu conta disso. Até a hora do jantar.
Boa tarde.
Boa tarde. Eu quero um executivo, peixe ao invés de bife e água mineral.
E você senhor?
Um uísque.
Uísque, velinho?
Sei lá, essa estória me deixou nervoso.
Me conta, o que rolou na hora da janta?
Bom, comemos nossa larica, jogamos no pc até umas oito da noite, aí ela teve que escrever as piras dela do mestrado no computador, eu continuei jogando. A gente resolveu a noitinha ver um filme, então, eu fui preparar um rango. E ela uma sobremesa e um suco. Aí a porra do lixinho estava cheia e tive que descer pra levar o lixo, coisa que devia ter feito a tarde, mas e a preguiça? Sem contar que eu esqueço e a Maíra fica puta, você sabe como são as mulheres, elas sempre...
Cara, e aí?
Meu, aí eu vi a coisa mais assustadora da minha vida.
Seu uísque, senhor.
Muito obrigado. Um executivo pra mim também, por favor. E uma coca.
Cara, eu desci com as sacolas de lixo pela escada porque, pra variar, nosso elevador estava ocupado. Estava escuro, mas senti alguma coisa passar muito rápido por mim, um vulto. A luz do maldito sensor finalmente acendeu. Não tinha nada. Caralho, eu me caguei de medo. Senti aquele maldito vulto gelado num arrepio ruim percorrendo minha espinha, corri como um pato que levou um tiro no rabo com aquelas sacolas de lixo nas mãos e quando finalmente saí do prédio e olhei pra nossa sacada quase desmaiei de cagaço.
Porra, cara, que porra é essa?
Eu vi, meu amigo, eu vi...Uma sombra gigantesca flutuando no escuro, olhando dentro do meu apartamento e a Maíra sozinha lá. Voltei correndo, subi aquelas escadas nem me lembro como e ela estava apavorada quando cheguei. Disse que sentiu um vento frio sinistro vindo da sacada e quando foi fechar a porta, aí notou que uma enorme cabeça olhava pra ela, uns olhos malignos, ela dizia, um olhar satânico. Ela achou que fossem os medicamentos. Ficou mal, coitada. Está em choque.
E você?
Como pode saber que era um ET?
Era um extraterrestre porque desapareceu numa espécie de explosão surda. Eu vi uma luz se movendo muito rápido. Eu diria que ele se teletransportou.
O que um maldito ET iria querer contigo?
Não sei. Mas você checou os registros da nossa empresa?
Não, o que tem eles?
Você não sabe em que tipo de merda a gente se meteu, não é?
Do que você tá falando a gente vende ar condicionado...
Isso é fachada, bobagem, mentira. Não é possível que não tenha percebido. Olha, cara, esses caras estão construindo ogivas clandestinas. Provavelmente estão envolvidos com terrorismo, andei investigando. Entrei na sala secreta deles...
Você enlouqueceu.
Puxa, esquece. Deixa isso pra lá, essa conversa nunca aconteceu. Ok?
Você está preso.
Ah, porra, sei lá...
Sei. Gerundiando.
Isso mesmo. Estudando, trampando. Fazendo os corres da vida. E você?
Eu to enlouquecendo. Ontem mesmo, vi um extra-terrestre.
Cê tá de sacanagem?
Claro que tô. Mas a pira de enlouquecer é verdadeira. Tipo, medo de sair de casa. Já teve? Então, esse lance de olhar as pessoas me olhando, eu saio a tarde e tomo um suco de laranja. Pra não enlouquecer. Mas eu faço isso porque já estou louco. Tomo o suco e sumo, vou pra casa, ler. Mas ao mesmo tempo sinto falta de alguém.
Sei.
Sinto falta de mim mesmo.
E a aquela guria que tu catava?
O lance do extraterrestre, é sério. Nós dois vimos. Tamo junto ainda, por incrível que pareça.
Ela é gata.
Ela é gata.
Bom, eu vou almoçar. Vai ficar por aí?
Opa, claro que não. Vamos.
E esse lance dos ETs muararáaa...
Tu ri mas é serião. A Maíra tava saindo do banho...
Do banho? Puta, ela é gata.
Ela é gata.
Mas conta, porra!
Ah, então. Eu tinha saído pra comprar nossa larica vespertina e deixei as chaves na mesa da cozinha, veja bem, na mesa da cozinha, não tranquei porque a gente não tem essas nóias. Só fechei o cadeado. Quando voltei, o portão estava trancado, normal. Mas a chave estava na fechadura e achei estranho porque a Maíra ainda estava no banho, acontece que ela me viu ficar o tempo todo no quarto, até conversou comigo, de dentro do box, o problema, meu amigo, é que fui comprar cigarros, pão, café e queijo. E eu tenho certeza de que estava na padaria e ela tem certeza de que eu estava no quarto, falando com ela enquanto tomava banho. E quando entrei pela porta totalmente estranhando o fato da chave estar na fechadura ela achou que eu tinha saído apenas pra beber um copo d'água.
Sinistro.
O mais sinistro é que nenhum dos dois se deu conta disso. Até a hora do jantar.
Boa tarde.
Boa tarde. Eu quero um executivo, peixe ao invés de bife e água mineral.
E você senhor?
Um uísque.
Uísque, velinho?
Sei lá, essa estória me deixou nervoso.
Me conta, o que rolou na hora da janta?
Bom, comemos nossa larica, jogamos no pc até umas oito da noite, aí ela teve que escrever as piras dela do mestrado no computador, eu continuei jogando. A gente resolveu a noitinha ver um filme, então, eu fui preparar um rango. E ela uma sobremesa e um suco. Aí a porra do lixinho estava cheia e tive que descer pra levar o lixo, coisa que devia ter feito a tarde, mas e a preguiça? Sem contar que eu esqueço e a Maíra fica puta, você sabe como são as mulheres, elas sempre...
Cara, e aí?
Meu, aí eu vi a coisa mais assustadora da minha vida.
Seu uísque, senhor.
Muito obrigado. Um executivo pra mim também, por favor. E uma coca.
Cara, eu desci com as sacolas de lixo pela escada porque, pra variar, nosso elevador estava ocupado. Estava escuro, mas senti alguma coisa passar muito rápido por mim, um vulto. A luz do maldito sensor finalmente acendeu. Não tinha nada. Caralho, eu me caguei de medo. Senti aquele maldito vulto gelado num arrepio ruim percorrendo minha espinha, corri como um pato que levou um tiro no rabo com aquelas sacolas de lixo nas mãos e quando finalmente saí do prédio e olhei pra nossa sacada quase desmaiei de cagaço.
Porra, cara, que porra é essa?
Eu vi, meu amigo, eu vi...Uma sombra gigantesca flutuando no escuro, olhando dentro do meu apartamento e a Maíra sozinha lá. Voltei correndo, subi aquelas escadas nem me lembro como e ela estava apavorada quando cheguei. Disse que sentiu um vento frio sinistro vindo da sacada e quando foi fechar a porta, aí notou que uma enorme cabeça olhava pra ela, uns olhos malignos, ela dizia, um olhar satânico. Ela achou que fossem os medicamentos. Ficou mal, coitada. Está em choque.
E você?
Como pode saber que era um ET?
Era um extraterrestre porque desapareceu numa espécie de explosão surda. Eu vi uma luz se movendo muito rápido. Eu diria que ele se teletransportou.
O que um maldito ET iria querer contigo?
Não sei. Mas você checou os registros da nossa empresa?
Não, o que tem eles?
Você não sabe em que tipo de merda a gente se meteu, não é?
Do que você tá falando a gente vende ar condicionado...
Isso é fachada, bobagem, mentira. Não é possível que não tenha percebido. Olha, cara, esses caras estão construindo ogivas clandestinas. Provavelmente estão envolvidos com terrorismo, andei investigando. Entrei na sala secreta deles...
Você enlouqueceu.
Puxa, esquece. Deixa isso pra lá, essa conversa nunca aconteceu. Ok?
Você está preso.
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