01 abril 2010

geometria analitica

Marcela sim usa batons bonitos
até mesmo porque seu corpo curvilíneo
comporta o naipe dos sapatos dela

a boca vermelha só diz borragens
de cigarro em punho
um copo de cerveja
em riste seus seios duros
cintilam

enquanto eu
comprimidos de tarja preta
ao redor dos olhos
cabelos desgrenhados usando verbo rasgado e roupas
cinzas por cima da pele
pálida pensando bem
em como passava mal
aquele dia em que
tudo ficou claro
de doer
o teu sorriso abstrato

uma voz
cínica
me pedia
pra pular de ponta
no triângulo e seus três riscos

cujas faces só
se voltam para o outro lado

um triângulo não é como uma reta
não se cruza em ângulos opostos
é plano estável e
isocilizado

fiz de toda a sua
falácia e geometria
um montículo de cinzas de cigarro
cuja brasa para afastar perigos
trago em longos lentos tragos
pela janela só não pude
me livrar de você

não pude sequer
tocar seus discos...

April não vem para jantar

No sarau cultural,
ele falava grego e
eu estava sozinha
então inventamos um amor
bebâdos
no inverno retrasado
ele perdeu os óculos e eu
esqueci meus livros...

quando fui para rodoviária
conhecer sua vida
procurava um cara
alto
mas meus olhos míopes
só muito tempo depois
descobriram
que ele tinha narinas saltadas não acreditava
em espíritos
e por alguma razão
parecia que a sua boca ficava
cada dia mais
bonita

ele era
catagelofóbico aéreo
com as costas um pouco
curvas de quem só dorme
na alta madrugada
de um apartamento pequeno
em Curitiba

ouvindo Bob Dylan
enquanto comíamos sua sopa de ervilhas
eu esquecia todos
os recados
e miseravelmente misturados
a outras pernas e outros braços
observa feliz
cheia de
preguiça
sem ter jamais que
parecer engraçada

"A Ascenção Platônica"

A gente se conheceu no ônibus. eu olhando a janela ele se aproxima durante dois anos
às vezes íamos embora juntos. O colegial terminou, vieram as malditas férias, e ele não voltaria mais comigo. Cheguei até ver seu rosto em poste.

Um dia, sem querer, quando já tinha quase esquecido o calor que sentia, no comecinho do outro ano, encontrei-o lendo o jornal, tranquilo, na biblioteca da escola. Falou em como iria embora, cursar psicologia.

Então, disse: parou, me olhou bem nos olhos e disse:

que amava o primo.

Bocato& Banda

23 de abril
na apresentação de jazz
(eu ainda com medo do maníaco do pé que me seguia do Rio até em casa
posso dizer desse moço que era pobre, que usava óculos e queria me engravidar)
eu sem querer
metia-me
nas

pausas

das falas
dos outros ia em frente de olhos fixos
em seu carro de fita casset
com o sondtrack do
pulp fiction
não comportava
meu pesado guarda-chuva
cinza
precisava agora
fincar os pés na
ventura
de estar

sozinha

em prisão de pedras
pra quando o céu se abrisse
e fechasse os olhos
mas amplos
que sampa.

31 março 2010

Os dragões da janela

Os dragões da janela

vêm e flutuam

no futuro

com o infinito

dos olhos desenham

no ar uma flor flamígera
num círculo de fogo

bonito

30 março 2010

Manual de Putz sem Pesares de Luis Felipe Leprevost

1. Não fique sozinho caso deduza que está sozinho e mal-acompanhado.
2. Tente o mais que puder não morar dentro da terra.
3. Não tenha sonhos mas objetivos, ou inverta tudo aproximando.
4. Vasculhe sua finitude.
5. Tente o mais que puder não morar em gavetas de cremação, um bom começo é não ser a cinza dos cinzeiros.
6. Se você quer tragar alguma coisa, tranque mistérios na respiração.
7. Não seja a paisagem de osso exposto dos dias que não deram certo, lembre-se, o amanhã começa antes que chegue a manhã.
8. Não aconselho as frestas nem as sombras.
9. Não use o sol para agasalhar esquecimentos.
10. Não permita que o antigamente seja arquivado, quanto mais ampla é a memória, mais fundo vai o futuro.
11. Não cutuque seus mitos com dedos afiados, isso faz ferida.
12. Mantenha o psiu da boca desentranho.
13. Não tenha nostalgia de remotas civilizações, mas das futuras.
14. Sendo você um inseto fatal ou não, não remoa seu próprio veneno.
15. Evite que os pés virem patas de touro, cascos nervosos, evite que na testa nasçam chifres.
16. Desatrofie os limites do que é humano em você, o sexo é um bom começo.
17. Num ato exagerado dinamite o que é exagerado em você.
18. Espalhe-se de si mesmo, só para ter o prazer de juntar caco por caco depois.
19. Não seja mais um na platéia distendida na rua da amargura.
20. Vamos lá, alegria!, ponha gozo na ferrugem.

29 março 2010

cotidiano

durante o dia
o copo quente de café
esfria
as meias
ainda meias
sujas
pingam gotas de
sabão no nariz
do cão
dorme
no alpendre
as últimas flores
que vejo
antes
que você
saia

quando vou à padaria

o passo em direção a.
não volta.

jamais
em meia volta
as pernas percorrem
a rua clara como quando amanhece uma luz de poste apagado
transpira vapores
frios em bocas de lobo
meus óculos usados
tremem
ao topar com o drama
da padaria fechada
ou de supor o trevo em círculos
como cobras que comem o próprio rabo

eu-sol, lunática,
rogo à padaria
copos deformados
e saquinhos de leite
que se estendem pelo hábito de manter
os olhos bem
fechados
engolindo
salivas aguçadas
pela menina de cabelos curtos
e sua blusa amassada
de farinha
espero
triste e ocupada
a beber o orvalho
da madrugada
que a porta da padaria
abra

19 março 2010

os anjos se beijam

essa noite com cheiro de vinho
de vento solto nos cabelos
em direção à floresta escura...
misturar destinos, salivas
texturas
na fogueira
o fogo flutua
entre tua saia e meus dedos tocam
música
mas mal cabes no
vestido
porque
no fim da festa
todos os anjos se beijam....

28 fevereiro 2010

primavera

A pequena concha de caracol que sou
recebo água
de chuva
e não há um dono para minha concha
solitária enrolada em si mesma
porque
o bicho de dentro dela
morreu

a lesma viva arrastava meu abrigo sobre as costas
o terrível peso de ser
eu interpelada por meninos
e me atiraram sal
para me verem agonizar
ao sol morrer lenta
líquida
esparramada pela rua
os minúsculos gritos
de agonia
não chegam perto
dos corações humanos

na rua
depois da chuva
pequena concha solitária
proliferam larvas
crescem
dentro...

a música da terra é silêncio
espesso
seus joelhos cortados
sangram bolhas de sol
estouram nos olhos os meninos se dissolvem
ao vento suas peles jovens, vermelhas
rasgam a carne
num crescimento descontínuo
de suas
próprias
faces

não vão jamais além
do carro contendo gente
dentes postiços
a roda mecânica
estraçalha a concha
e em pedaços
aos poucos
me misturo
ao pó
na rua
recolho
equilibrada sobressaltos
assaltantes
decepam
pessoas
e seus pedaços espalham
odor de
Jasmim

08 janeiro 2010

Rosto

um rosto de ossos
na cabeça de pano
de boneca
o botão pregado
no lugar
do olho
desenhado a lápis
uma face que pode
apenas
fechar ou abrir
a boca
não vai
jamais
além
da expressão

fugir do seu rosto
é passar batom
(por cima da lágrima)
é passar batom...

Terreno Baldio

do céu
na palma
da minha mão vazia
cai uma gota de chuva
morna

a poeira e a pedra
exalam o vapor
da vida baldia
que finca
raízes
fundas
no ventre
da terra

de tanta
luz e fumaça
abriu
no asfalto
uma flor
sem cor
e sem cheiro
de folhas
enfentadas por pequenos
espinhos no meio
do dia distraída no fone de ouvido tremo
de frio por dentro
pulôver vermelho
flutuo outra vez entre o livro
e a vida

21 novembro 2009

Família

Ontem o vinho derramado
hoje mancha minha camisa

o frio vem em partículas
fragmentar meu queixo

se perguntas a família,
dirão que fui viajar
-uma lembrança vaga

é habito
acreditarem que absolutamente
não existe
o que não se comenta
à mesa do jantar
do desvio incomodo
que é a vida bifurcada a duas
vias de acesso cego
contra o direito de me fazerem
calabouço

ontem vela acesa
hoje porão vazio
as taças em cálidos cacos
de inteligência doida
varrida
para fora

no pó da pá o meu suplício
dentro da sacola amarrada do lixo
me enviam sem retorno
para o Japão
onde
minhas desigualdades mórbidas
acordam de um pesadelo
dentro de outro
dentro de outro
dentro de outro...

19 outubro 2009

inverno

o riso no rosto
é um risco
de rastros
sanguineos
pulsa
e goteja
possibilidades


o homem de bigodes
de chapéu coco que
caminha só sobre a neve
dos lábios secos
pende um cigarro apagado
nos bigodes
pequenos
flocos de
neve
acumulados
ele talvez volte
a tempo de rever
as begônias


florirem
nesta hora
morta

entreaberta

de eloquências
e estreitas recorrências
deseja apenas terminar o assunto no qual
ninguém está
prestando atenção
mas dizem que
seu senso de humor é sensacional!


só por uma noite
ou duas
as esquinas de l´Avenie
cobertas de branco
cruzam
destinos em distintos
ipês amarelos
e
a sua
saia de cores
hexâmeras
flutua
entre flocos de luz nossos dedos
entrecruzados
os meus ágeis buscam
a ponta pífia
do seu malboro light
e a fumaça sobe
bonita
em espirais azuis
pelas minhas narinas

e sinto deliciosa
brisa glaciam invadir
minhas coxas
flutuar em meus óculos de
órbitas saltadas
a espreita: a espera morta e estreita

parada.

o vento frio que vem depois da chuva
bater em meus cabelos de madrugada
nessa hora que não é
do tempo
e não somos nada
apenas poeria na estrada
da ampla solidão do cosmo
um hino de estrela
fugiria tênue
da minha boca
direto
pra a umidade dos teus olhos
luminosos
como um fatal
toque de parede fria
meu beijo
gelado nos teus dedos
de faca
atravessaria o avesso do pão
em fatias
mornas
de café e de neve

que
cai
em

Paris


o pulo do gato é leve
o leva para o alto
do muro
minhas pupilas dilatam
no escuro o olho do gato brilha
fagulhas de fogo fátuo
inteligência arisca e ao mesmo tempo

em que todos arriscam
e se divertem
eu, ex-vazio,
de conversações anônimas
e alpargatas velhas
assuntos empoeirados
que se desencadeiam
em meio a
quantas noites no centro da Avenida Batavo
onde todas as direções são curvas
re-conexas
eu como o homem de bigodes que sou
que não sabe mais partilhar
pequenas alegrias em saquinhos de batata chips
e mãos
engorduradas
chupo meus próprios dedos

minhas portas trancadas
de fora para dentro
estabelecem
além dos limites
de minhas pernas tortas
o muro que
barra minha
consciência
e
displicente
o músculo
exausto de alegria
soergue-se aos flocos
em branco ópio
de papel
até que as lágrimas congelem na garganta
e a última gota de chuva
caia no cinzeiro

sorrio pensando em como é quieto
entre a porta e meus sapatos

senil e obsequioso eau de parfum
eu e meus parafusos plásticos
suportamos apenas
desnecessidades
mórbidas
vistas à janela o
ríspido e amplo
ocenao afastando-se
do coração do humano

eu caio
em pingos
frios
no vislumbre
luminoso
da pétala
de qualquer
rosa

18 setembro 2009

Apocalipse de Pedro

pedras rolam sobre cascas humanas
aniquiladas
cabeças
passam voando
enquanto
planam no céu
o sol
e a nuvem
dissolvem
histórias compridas feito tumbas
se perdem
no deserto
de poeira e sombra elevam-se altas feito torres
de tosse
entre ruas
e
pulmões de vidro

objetos se soltam
voam com as cinzas
da tarde
a paisagem
despedaça
-se
por acaso
nas cores
em colapsos
multi-violetas

a poeira baixa
um tom de voz
um segundo
antes
eu não era mais quem sabe
quase isso
ou ao contrário
as pedras
apenas
planam
no desfiladeiro
em grânulos
esfiapados
de terra

09 setembro 2009

Virgínia

Virgínia tem olhos pretos
de cair dentro bem
maiores que a barriga

comprida e branca caminha
entre labirintos telepáticos,
suprasensíveis,
carrega orgulhosos óculos de nascença
como se não se equilibrasse
bem nas pernas o que lhe confere
uma eterna
curva nos ombros
vai e volta sem saber
o que estava fazendo
ia embora
sem ter conhecido ninguém de novo
bêbada
de café
caminha entre
folhas secas
sem sapatos
porque lhe agrada o cheiro
do que secou
sob as plantas
dos seus pés

às vezes se apaixona
em segredo
pelo recepcionista
cheiram juntos
o pó
das bibliotecas
enquanto ela permance
absorta na
xícara
de chá

vazia
observa o borrão da chuva
na janela sopra
lá fora
a dor mais aguda
pra quem sabe o veludo dessas pétalas
que esmaga com dedos
em susto
percebe
um gato
não consegue ler

desde criança
andava
metida
com gatos
por isso seus gestos
jamais sorriam
ou algo que soasse
macio
suas palavras
arrancam tosses


demora demais
nos olhos
dos outros
e suas
estranhezas de hábito
como tragar solidões
solicitudes


expande
como o vidro
se inflava quente
e depois
recolhe-se brusca
crisálida

se acaso Virgínia ousasse olhar
seus verdadeiros olhos
quem suportaria
tamanha dor
disfarçada em cílios?

a vida frágil do corpo
sustentada em seus próprios
escombros num vendaval de domingo
ia
esvaindo-se
em afetos
que
apesar de tudo
nos momentos
-realmente-
tristes
nos intervalos lúgubres
dos metrôs eram válidos

Virgínia
mantinha seus
olhos
quietos e
fixos
em um olhar
de gato
banhando-se
em jornal e fumaça

03 setembro 2009

lanche na cantina

trago cigarros
no estojo
quadrado canetinhas bic
rabisco em guardanapos
sujos
como o que ia dizendo
e esqueci
de repente
a pia
aberta

trago livros
e não leio
trago pedras
e figurinhas
de crack

masco chicletes católicos
estouro bolhas
retóricas
que grudam nos meus cabelos
universitários e virgens
misturam-se ao pão
com azeitonas

e sou a sede
do vaso
entre barras
de ouro branco
pra quando
a garganta secar
bombom seria
beber a água na cantina
com filtro
solar

O suicidio da Virgem del valle

Acode essa bolhinha no ar
seu destino é subir
soprar
dissolver-se
quem sabe
na encosta tão íngrime
e abissal
seu coração
canta
no topo da
solidão
onde habita
o chacal
e não há pecado
apenas
venta
seus braços
abertos abençoam
as bolhas
explodem
ao sol e
voam
ela
rompe
o frio
da nuvem
densa
com
o uivo
sagrado
da fêmea
intocada
sua coroa de flores
despenca
primeiro

20 agosto 2009

Bêbadas

Destilados
estão
os que me
revogam
dirão
acabando
com a minha
cabeça pensa
mais que passa
pesada
por isso
eu assobio
sobre nada

campestre

Uma abelha voa em direção

ao azul do olho de Suely

a estrada leva

seu vestido leve

para outras ramagens



Imagem lívida: os

cabelos vermelhos

de Lívia

esparramados

na neve


Susana amassa a maçã
entre os dentes

pálida
aperta a polpa
de
tomate
com os dedos

resiste
trêmula a
faca afiada
quer cortar
a pele do
kiwi
e seus
pelos para
verde-dentro
sementes pretas
lembram um
desenho
maia


Mariana

Atirou-se ao mar

De Iemanjá

E as pérolas
do seu colar

Enfeitam agora
outra Ana

19 agosto 2009

Casa de boneca

Que triste
sempre
esperar
por ele
acordada os
pés
vão sozinhos
para dentro
do cheiro da boca
dele traz
potenciais
delicias
abertas
as janelas
observam
Cintia apertar
o vidro
de xampu
entre as pernas
a espuma tem
cremosidades
espessas...

o que move aos domingos
as horas mortas no relógio:
expectativa
de um roçar que seja
de peles
um beijo
verdadeiramente
de língua

17 agosto 2009

Dez de Copas

fazem planos
muralhas que
servem
à Coroa
de outros

diamantes brutos
encrustados
nos músculos
das
mãos que
disparam
EM direção
ao cerne do
capital vital
da tua veia

vai
do cérebro
ao coração
e então
pára...

devastagem

dentro das minhas pupilas
longe e ao redor de tudo
observo
poeira e fogo
o futuro
ao longe o cheiro de guerra
traz
prováveis
invasores
ao pôr-do-sol
contra as nuvens
bem alto
o abutre
figura nobre
farejando
o vento
leva
o aroma
ácido
das tripas
que os alimentam

Infanta Joaquina

Quando crescer
serei contigo
árvore
para
encaixotar fatos
nos olhos
deixar estar
certas cousas
como fiapos
de carne
nos dentes
doces
como esperar
teu beijo
na boca
de bala
molhada
meu secreto-íntimo
era de te pegar no colo
cheirar teus cabelos
úmidos
enquanto
fala de
Belle&Sebastian...

Desculpa

O dia que não me estiver
mais acessível
sequer em remorsos
o que terá sido então
essa distância
toda?
Que signficará
orgulho
tomado
em silêncio
quando
tiver
duzentos
anos?
Quando descer
o Manto
de nossa senhora
sobre nós?

16 agosto 2009

Curtas

I

hoje é a noite do perdão
podes desatar os nós
dos sapatos
da garganta
um ruído
rouco
pede stop
e mais um gole
de chá

II

palavras afiadas
ferem âmagos
todo prata
o vestido
reluz
uma coloração
plácida
ela bebe
champagne
em taça
de apanhar
burburinhos
no salão

III

a vizinha ouviu e fez que trouxe
pão para distrair a fome
de novidades a moça de leite
condessada
a beira da janela espera
a flor da sua vida
desabrochar ou virar fruto

o menino apanha goiaba e corre...

IV

bem depressa a rua
passa
por cima
atropelando a
idéia
que tinha
na ponta da língua

V

preciso arrumar meio
de apagar
o desejo
de meter as mãos
em teus
sinais de sim


VI

quero mais
teu corpo
caindo
sobre
o meu
duro
frio
e morto...


VII


a tarde chega
passo um café
um padre
passa
um filme na sorveteria
a menina pede casquinha de Elves Presley
e vai chupar duas bolas de coco
na praça Hollywood

VIII

Racismo:

um negro é atropelado
ao mesmo tempo em que um cão
cego treme de frio
na ásia

IX

aleatórias borboletas
pousam
amarelas
no cheiro
do pescoço
dela
entre
as lápides
da familia

15 agosto 2009

get me away from here I´m dying

Não se preocupe, doce namorada
ele só me procura quando
seus olhos vazios
permanecem sempre
insatisfeitos.

se acaso me encontrasse
num sorriso ou sorvete
já não haveria encanto
seria triste e igualmente
distante
como agora
é contigo

...

no quadro
sobre sua cabeça
ramalhete de elbas
nas alvoradas
púrpuras
nas texturas
de paredes
lisas as letras
que se desenham
no cheiro
do teu copo
de leite
um homem
que peca

...

longe da delicadeza triste com que seu olhar
amirava os vastos vales
de sua própria solidão
eu de túnica preta
e flores brancas
nas mãos
suavemente quieta
de aflições
ao seu lado feito
um pequeno pássaro cativo
enchendo silenciosa
as narinas de ar
rulhando um canto
triste

...

calçou sapatos
que não serviam
tentou
telefonar
se perdia
a toalha
os dedos trêmulos
de costas
para o mar
chora
como se o sol
não tivesse mais
onde se pôr.

11 agosto 2009

do perigo de compartilhar talheres

olhando daqui
nunca vi mãos tão belas
tecido, diamente, ouro
puro nada se compara a ela
alvas planícies em
labirínticas cadeias
venosas
o altivo semblante
um pouco
pálido
um pouco
tísico
os olhos
de obituário

olhando daqui...
por mais que seja rica
carrega uma rara
solidão que ninguém jamais
se arrisca achegar-se a ela

olhando daqui
debruçada na torre
de trovão sobre a noite que não vive
suspira
seu marfim
a mais sublime
tão cândida
flor
a qual
nenhum
mortal ousou

De óculos escuros
a de lábios virgens
desdenhados de batom
afoitos ardores
esperam...
o ouro que a fulaninha
da esquina
já regalou...

08 agosto 2009

Baño de aceite para enternecer la piel

Deitou-se na grama umectada
sob a árvore
and whispered:

Be quiet dog
feel the wind…
feel the sun…
feel the sound
of the ground
when the grass
it´s growing green up

praque tal espetá
culo se já vivi mil vidas
repensando o peso
de los
equívocos
de siempre?

Se já fui árvore
Dog
Hoje
Spirit
The Same
Pain
Evoé

O que faço aqui
então
fatigado
vivendo os mesmos
uns uns uns
Os mesmos
Ohs!


Parce-que la vérité ne peut être vrai à travers les mots
lês mots sont l´ilusion
et tout que ce que nous pouvons dire à travers eux
c´est uniquement
arbitraire.

Por que não viro luz?
Why am I just
here
very concern about
mysel
fish in the water?

What about fly away?
What about die and born again and
over again and
I can´t forget...

07 agosto 2009

Apelo ao Jacarandá

à sombra da vida sinto que
o beijo morno da luz
não será
meu nem pleno apesar
da força das minhas veias
da força da minha saliva
que só meu fosse e seria
ainda maior o espasmo de crescer até tocar os céus com minhas pálpebras roçar as tenras nuvens]

queria a exuberância
das cores
ao toque
delipetalado
das patas
dos insetos
sobre as minhas flores
explícitas

O Cão

o cão observa
de soslaio
que olhos tristes...

o espelho encara a face
de vidro
em riste

a pia pinga desvairada
gotas frias
de orvalho

no ponto em que estamos
no inverno
que não passa
passaria pássaro
consciente como luz
mas onde andará
a andorinha?

13 junho 2009

Amores III

há cores no vento
nas
amplidões dos
apartamentos para
alcançar eclipses ela sobe as ruas
e mantém nas gavetas
meias amarelas
pra dançar nua
quando esquece
dos fogos
cruzados
de artifício

02 junho 2009

Amores II

Amar amaríssimo
Amor cataclísmico
E isso e aquilo e tudo:
Evoucê.