esfaimado
peixe ex-cama
nada voa sopra
ou
esfrega o gênio
da lâmpada
é do tamanho
de uma tâmara
&&&
A pérola mais bela do teu brinco é a tua orelha nua. Que tecido será mais fino que a seda do teu pescoço liso e que vestido será mais leve que o sorriso que te veste a pele?
&&&
o raio da justiça
fulmina
pegou
e perguntou:
quem és?
quem pensas que és?
que pensas que pensam que és?
dele não se escapa
e terás de prestar contas
ação e reação
são teus princípios
e teus fins
o que acontece a ti
é causa e consequência
de tuas livres escolhas
a crise que se instala
ao se constatar:
há sempre um justo vendo
há sempre uma dor
dor
de consciência
a dor que causa aos outros
a ti retorna em dobro
amor gera amor
treva gera luz
luz gera sombra
em sombra tu descansas
em excessiva luz tu não vês
não peço que me creias
não peço que me entendas
só peço que o raio
da justiça
tu
aguentes...
raio que queima diferente
fulmina-te em cada apego
mesquinho
seja
do tamanho de uma folha
do tamanho de um
ninho...
&&&
vamos fazer amor na nuvem
de olhos bem abertos
pra ver de perto
o temporal...
&&&
There is always a angel trying to kiss you
if you be quiet could listen his invisible wings flapping around your face
he is trying to put some angel's breath into your brain
through your lips
whispering delightful words about death and love...
There is always a angel trying to open your closed Eye
be quiet and wait
he is singing his beautiful song about how things get lost
and the living fresh meat just turn dusty
and about how ashes always will flowing from your evasive fingers
oh, by the way, your fingers dosen´t exist anymore
they don´t exist and they always exist.
The evil angel and the sweet angel
told me the same story:
no there ís no hope and no glory
to the human fate.
&&&
esse quê de amor que dói
de anel apertar no dedo
o nó
da gravata
engasgando
a garganta
esse quê de você que eu quero arrancar
com os dentes
comer lentamente
enquanto
as narinas inflam
e as glândulas
inflamam
e as penugens de atrás
do pescoço
captam o calor
molhado
dos seus lábios
esse quê de amor que dói
só de ver, sorrir
e ser feliz
sem você
o mundo não cria raiz
não cria cores
abruptamente
distintas
nas pedras da cidade
se sem você
os vasos nas janelas não abrem flores nem
há moscas zunindo cortando o silêncio da manhã em redor do pão esquecido
na mesa
há dias.
&&&
confusão.
misturar
nossos corpos com a mão até
obtermos uma textura homogênea
uma massa macia
com cheiro de suor,
saliva,
língua e
tesão.
&&&
quero morrer lentamente, na chama ausente de um fogo fátuo
quero flutuar de fato em lembranças cada vez mais vagas
me afogar em lágrimas
e dar piruetas circenses quando ninguém estiver vendo
vou lhe oferecer o cigarro
o meu sorriso
um chiclete
e um gole d´água
mas o que quero lhe dar muito além disso
está tua boca em minha língua doce
o meu doce de leite
o meu creme de moça
o meu último gole.
&&&
não esbanje felicidade na bandeja alheia
nem sopre areia fina em olhos ceguetas
não fale tão alto o nome do seu amor
nem desfolhe pétalas inocentes
não atenda o telefone o tempo todo
ande descalço, ande nu, ande demente
invente vidas que se misturem em texturas mais invisíveis
ou telepáticas, que
ressoem em tons que sejam mais sintônicos em seus sins em suas suas silhuetas bailando em puro júbilo, em pura mágica.
&&&
O Lírio
não estava lá
era um lírio
onde dizes
não estava
onde estive,
outro lugar
havia um lago
um bosque largo
e um quiosque imenso
em forma de cogumelo
eu não estive em lugar algum
eu era meio, agora sou uno
com a matéria que molda
meu parco sonhar
meu delírio atordoado
dormindo
acordado
rasgando um véu de sonhos
atrás do outro
medonho conforto
caindo em espiral
em camas, surtos e travesseiros
sudoreses noturnas
buena fortuna
tudo bem coberto por um cobertor marrom
eu não estava lá
era um lírio
&&&
a felicidade é um silêncio manso e distraído
ou um acento agudo e toda hora
é agora, pisa firme e rodopia!
a felicidade é cheia de copos
de dedos, de ecos de feriados, de dores de cabeça engolidas pra dentro que quebram feito vidro arranhando a garganta perfurando o peito e você pensa que é só o cigarro, ou um resfriado
e você pensa que um dia a tosse passa
que os amigos ficam
que os laços são nós
sólidos que nunca lhe darão solidão
e que amanhã, afinal, é sábado
a felicidade é calada em caldas,
segredo absoluto ocultismo.
e realiza-se nas entrelinhas
nos sublinhados, nos sublimes sabores mais delicados
de quando se tem calma, de quando a poltrona se encaixa macia nos quadris moldando um conforto que jamais será encontrado do lado de fora,
da sua casca.
&&&
e é não conseguir dormir tão logo,
imaginando teu colo.
e é como não sentir frio, nem fome,
abraçar-me com teu nome
saborear a saudade
em cada nuvem
que passa
trazendo cheiros de longe...
e nunca conseguir ir embora cedo
jamais ter medo
se amanhã tem mais...
e é sorrir à toa, lembrar da tua boca boa
e a tua língua que ensina
misturada à minha
um alfabeto próprio...
30 abril 2013
=)
mas acontece que
me apaixonei
pelos olhos negros
de Tobias.
Tobias e suas fobias, por onde ia
levava aquela mania
de solidão
enamorei-me de teus dedos
e do delicado de tuas mãos
Tobias,
nosso encontro que não durou um orgasmo
mas o fato é que já estava apaixonada
por tua medicina, teus olhos taciturnos,
tua arte oculta, pela magia das notas brutas
da tua guitarra
Tobias tinha
doce nos lábios
e lisergia
nas pupilas dilatadas
uma respiração ofegada
e foi tudo
que tivemos...
&&&
mas acontece que
me apaixonei
pelos olhos negros
de Tobias.
Tobias e suas fobias, por onde ia
levava aquela mania
de solidão
enamorei-me de teus dedos
e do delicado de tuas mãos
Tobias,
nosso encontro que não durou um orgasmo
mas o fato é que já estava apaixonada
por tua medicina, teus olhos taciturnos,
tua arte oculta, pela magia das notas brutas
da tua guitarra
Tobias tinha
doce nos lábios
e lisergia
nas pupilas dilatadas
uma respiração ofegada
e foi tudo
que tivemos...
&&&
O dia que não devia ter sido
o cinema em que você ia
fechou
e o livro que não releu leu
perdeu
e a padaria
do seu Genaro
mudou...
quer comprar cigarro
precisa de um carro
novo seu filho mais velho não
se parece mais
com seus planos
suas sacolas pesadas
o lixo pra recolher
as moças bonitas da praia
são gays...
em sua cabeça
o universo cifrado
na sua rala sopa
um fiapo
sua mulher já é outra
mais velha, mais feia, mais gorda
não é mais a mesma moça
que te sorriu à janela
agora quando te acena
é só pra lhe fazer pilhéria
seus dias engravidaram
geraram um natimorto
o tigre meteu suas garras
em seu pobre pescoço
agora enforcado
sufocando
de seus próprios problemas
encara a velha figueira
e pensa
neste pobre
poema...
um poema para quem se fodeu
um poema que é problema seu
&&&
o artista prosaico
o poeta de bairro
de Barros
de Castro
Camus
os artistas da lapa
as cervejas na lata
fumaça na chapa
e todos comemoram juntos
o ocaso na ocasião perfeita
o dia
da guarida
o fim
da reunião
o poeta sente seus bolsos furados
e encontra desculpas nisso
tudo é desculpável
a culpa
é só uma lupa
para enxergar as letras miúdas
da cláusula pestilenta
do fato
a morte
é rápida e
a vida é morte lenta
cada culpa gera um novo poema
e nosso crime é simplesmente
existir
insistir na existência
degustar alegrias esplêndidas
em garrafas efêmeras
de coca quente
e sem gás...
&&&
me apaixonei
pelos olhos negros
de Tobias.
Tobias e suas fobias, por onde ia
levava aquela mania
de solidão
enamorei-me de teus dedos
e do delicado de tuas mãos
Tobias,
nosso encontro que não durou um orgasmo
mas o fato é que já estava apaixonada
por tua medicina, teus olhos taciturnos,
tua arte oculta, pela magia das notas brutas
da tua guitarra
Tobias tinha
doce nos lábios
e lisergia
nas pupilas dilatadas
uma respiração ofegada
e foi tudo
que tivemos...
&&&
mas acontece que
me apaixonei
pelos olhos negros
de Tobias.
Tobias e suas fobias, por onde ia
levava aquela mania
de solidão
enamorei-me de teus dedos
e do delicado de tuas mãos
Tobias,
nosso encontro que não durou um orgasmo
mas o fato é que já estava apaixonada
por tua medicina, teus olhos taciturnos,
tua arte oculta, pela magia das notas brutas
da tua guitarra
Tobias tinha
doce nos lábios
e lisergia
nas pupilas dilatadas
uma respiração ofegada
e foi tudo
que tivemos...
&&&
O dia que não devia ter sido
o cinema em que você ia
fechou
e o livro que não releu leu
perdeu
e a padaria
do seu Genaro
mudou...
quer comprar cigarro
precisa de um carro
novo seu filho mais velho não
se parece mais
com seus planos
suas sacolas pesadas
o lixo pra recolher
as moças bonitas da praia
são gays...
em sua cabeça
o universo cifrado
na sua rala sopa
um fiapo
sua mulher já é outra
mais velha, mais feia, mais gorda
não é mais a mesma moça
que te sorriu à janela
agora quando te acena
é só pra lhe fazer pilhéria
seus dias engravidaram
geraram um natimorto
o tigre meteu suas garras
em seu pobre pescoço
agora enforcado
sufocando
de seus próprios problemas
encara a velha figueira
e pensa
neste pobre
poema...
um poema para quem se fodeu
um poema que é problema seu
&&&
o artista prosaico
o poeta de bairro
de Barros
de Castro
Camus
os artistas da lapa
as cervejas na lata
fumaça na chapa
e todos comemoram juntos
o ocaso na ocasião perfeita
o dia
da guarida
o fim
da reunião
o poeta sente seus bolsos furados
e encontra desculpas nisso
tudo é desculpável
a culpa
é só uma lupa
para enxergar as letras miúdas
da cláusula pestilenta
do fato
a morte
é rápida e
a vida é morte lenta
cada culpa gera um novo poema
e nosso crime é simplesmente
existir
insistir na existência
degustar alegrias esplêndidas
em garrafas efêmeras
de coca quente
e sem gás...
&&&
Lacrimosa
o anjo goza
arrumando a franja
arfando as asas
sua porra é
rosa
e embriagante
oh que blasfêmia!
oh, temerosa,
a trombeta dourada
do anjo toca
anunciando seu plêno
prazer que não sendo
efêmero
é um eterno nas alturas,
hosana!
&&&
perguntei à plantaque alquimia santafazia transformar em flor a folha
precipitei-me ao precipício
caí de amores no orifício
central da terra
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
perguntei à menina
mas há um eterno:
de cabelos longos
quantos santos
encontros
ele havia tido com deus
respondeu-me que seu deus era ela
um quadro amarelado de aquarela
que o tempo corroeu
quem sou eu? quem é a bela
recostada à janela
esgotando
sorrisos gastos?
o anjo goza
arrumando a franja
arfando as asas
sua porra é
rosa
e embriagante
oh que blasfêmia!
oh, temerosa,
a trombeta dourada
do anjo toca
anunciando seu plêno
prazer que não sendo
efêmero
é um eterno nas alturas,
hosana!
&&&
perguntei à plantaque alquimia santafazia transformar em flor a folha
precipitei-me ao precipício
caí de amores no orifício
central da terra
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
quente e molhadinho
magnus magma, mamma mia!
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e sobre a alquimia
obtive resposta
de uma semente
que seca entrou no ventre
úmido da terra
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
e a pétala que vira fruta
e a pele que fica bruta
ambas
pelos raios do sol...
perguntei à menina
mas há um eterno:
de cabelos longos
quantos santos
encontros
ele havia tido com deus
respondeu-me que seu deus era ela
um quadro amarelado de aquarela
que o tempo corroeu
quem sou eu? quem é a bela
recostada à janela
esgotando
sorrisos gastos?
05 março 2013
Um outro significado para palavra chá
Antes, eu passava os dias varando as noites
antes, eu sabia por onde meus pés iriam caso estivessem bêbados demais para voltarem cambaleantes pra casa...
antes, a cachaça era barata e o trago era bom.
mas os dias passaram e eu parei por
pura preguiça, ela enguiça a preguiça enche a praça de lisergia
e os meus dias de coloridos letárgicos, esmoreço na mesma velocidade da gota de suor que escorre por suas costas sensuacínicas...
e quando menos espero deparo-me com minha própria sombra dizendo que esqueci os óculos em cima do banco da moto outra vez e não sei bem
se foi um sonho ou se sempre estive acordado
e o que chamo vida é sonho
e o que chamo de sonho é sono atordoado
viverei em desvario, darei mais um tiro e um trago no chá...
poemas soltos II
amanhece o dia vazio
amanhece na pele feito arrepio]
dentro da barriga uma nuvem negra
se agita: raios, trovões e calafrios
a pólvora dentro do barriu chia faísca no peito
um chiado fino
o dia vazio é vil e está cheio de solidão
repleto feito um feio Pântano envolto ao lodo, um consolo:
na lama escrevo o nome da dama
casada, dama desalmada, que me dá seu corpo
e diz que não deve nada...
ela vem sanguinolenta a boca sangra coisas invisíveis
ela vem de dreads vem de carona vem com um brinco de urso e um brilho no dente
ela esteve na mata silente, no seio da selva. bebeu peixes e comeu plantas
comeu da terra santa que a planta do seu pé pisou...
e quando vai meio onda meio cabisbaixa
quem segura a sua mão, no meio da música, no meio da multidão, em silêncio, em êxtase e meditação, seu quarto diz: metade é fuga,
outra metade ilusão.
amanhece na pele feito arrepio]
dentro da barriga uma nuvem negra
se agita: raios, trovões e calafrios
a pólvora dentro do barriu chia faísca no peito
um chiado fino
o dia vazio é vil e está cheio de solidão
repleto feito um feio Pântano envolto ao lodo, um consolo:
na lama escrevo o nome da dama
casada, dama desalmada, que me dá seu corpo
e diz que não deve nada...
ela vem sanguinolenta a boca sangra coisas invisíveis
ela vem de dreads vem de carona vem com um brinco de urso e um brilho no dente
ela esteve na mata silente, no seio da selva. bebeu peixes e comeu plantas
comeu da terra santa que a planta do seu pé pisou...
e quando vai meio onda meio cabisbaixa
quem segura a sua mão, no meio da música, no meio da multidão, em silêncio, em êxtase e meditação, seu quarto diz: metade é fuga,
outra metade ilusão.
poemas soltos
Qual é o nome do abismo em que resvalam os orgulhosos?
Qual é o nome do buraco horrível em que se encerram os sonhos?
Qual é a música que embala o mórbido silêncio da tumba?
Quero fogo e chuva! E o leitoso deleite da lua
Quero lançar-me nua para receber meu próprio corpo
que se descomponha
que se decomponha e, envolto à impermanência da rosa que murcha e renasce em outra rosa, que eu possa
beijar os doces lábios de Shiva, dançar minha própria
destruição...
&&&
Não resisto a uns bons olhos molhados
ao coração que se aquece nessa facilidade toda.
Não resisto ao seu corpo que treme e assume,
a essa necessidade de revanche da pele.
Não resisto a suas mãos que trêmulas conhecem
os meus caminhos mais íntimos não resisto
a sua língua, sequer ao cheiro de dentro da sua boca.
Mas se fico louca, oca, insossa. Não resisto e quebro.
Te perco, te perdoo e te esqueço, brasa fria, como um monte de sujeira em cima da pia do banheiro.
&&&
Empresta-me o que resta dessas tuas frestas que esqueces abertas
só para que pernilongos passem e venham te chupar, durante toda a noite, ao luar...
Na madrugada, alguém pergunta e não houve nada. Durante o dia, penduro os ponteiros de uma agonia
asmática e revejo fotos, roendo as unhas, roendo as horas
uns bons tragos já não me trazem nada...
apenas um pesadelo ou sonho ansiolítico me fazem dormir
ao longo de toda minha vida
as mulheres bonitas, que jamais terei entre
riscos rabiscos e nada disso! que um elevador mecânico me leve ao cume de um engano cínico e esses seus cabelos cor de ferrugem fustigam-me
escrevo e freio quase esmagando a cabeça do gato
quase esmagando a cabeça no vácuo eu não vi e nem vejo
o rastro do felino ferido na estrada, e sigo distraído pensando nos vestidos floridos que voam e no perfume de cada flor desabrochada que jamais sentirei...
segundo freud segundo por segundo...
desvio dos abismos mas sempre caio
no desabsurdo de mim...
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