Há cinco gerações seguidas,
Passava desapercebido
Como pequenos erros de cálculo ou moedas esquecidas no bolso,
O balanço de ferro no fundo de casa.
O cachorro lá se deitava,
Lá se balançava...
Todos já se haviam ido,
Mas enquanto o balanço rangia, lá pros fins dos dias nos cafundós do mundo,
O cão não se apercebia
Que não tinha mais nome, nem dono,
Nem comida,
Nem água
17 julho 2016
O saco vermelho do Papai Noel
Não atravessei o
paraíso para aquilo
que pensei
sou tolo
como qualquer outro
que torce apenas para que a sorte
venha antes da morte
paraíso para aquilo
que pensei
sou tolo
como qualquer outro
que torce apenas para que a sorte
venha antes da morte
e no meu leito de desespero
comi mingau de arroz e peido:
tudo morre,
tudo morre,
tudo um porre sem fim
tudo sobre você sem mim
comi mingau de arroz e peido:
tudo morre,
tudo morre,
tudo um porre sem fim
tudo sobre você sem mim
Cheguei quase no meio da festa
era a fantasia final
no baile de prematuros,
natimortos
ou natiruts
a dor era fecal
era a fantasia final
no baile de prematuros,
natimortos
ou natiruts
a dor era fecal
agonizando peixe e azia
a tia da cozinha sabe mais da fina filosofia que meus velhos óculos
adivinham
adivinham
estou cansado
e é natal
estou cansado
e é natal
estou um saco...
e é natal
estou cansado
e é natal
estou um saco...
Este seu jogo
eu manjo de longe
não tente esconder
a espuma com o horizonte
eu manjo de longe
não tente esconder
a espuma com o horizonte
não se faça de besta
que eu escuto
que eu escuto
até o pensamento
mais escuro
mais escuro
você se acha esperto
um garoto moderno
atrás do rapaz
da capa do caderno
um garoto moderno
atrás do rapaz
da capa do caderno
corre atrás dele
para tentar comer
os seus restos de ração
que o cão maior e de latido melhor
mais altivo que o seu
já comeu
até se infartar...
para tentar comer
os seus restos de ração
que o cão maior e de latido melhor
mais altivo que o seu
já comeu
até se infartar...
seu papel de palhaço
não tem psicodelia
o seu traço de sorriso
é melancolia...
não tem psicodelia
o seu traço de sorriso
é melancolia...
Barzin
eu quero comer
você de pijama
não quer
cozinhar
você de pijama
não quer
cozinhar
eu quero fazer
um bolo e um drama e enrolar
minha paciência na folha de uva.
um bolo e um drama e enrolar
minha paciência na folha de uva.
eu to vendo
uma jovem vulva
vulgar
eu to passando batom
no espelho
do bar.
uma jovem vulva
vulgar
eu to passando batom
no espelho
do bar.
ainda estou aqui
insistindo na tv
eu não tô nem ai - já são duas da manhã
eu não tô nem ai - já são duas da manhã
assim não dá
me passa o sal ou me pega na mesa
mais uma cerveja,
cansei
de passar
me passa o sal ou me pega na mesa
mais uma cerveja,
cansei
de passar
batom nessa cara de sonsa
que Deus me deu
que Deus me deu
prefiro ir pro breu
da minha cabeça
cansei de fazer
alianças só pra perder no ralo da pia uma voz macia
ja me dizia:
o início se funde ao fim
tudo começa com sangue
e termina
unanimamente
em mim.
da minha cabeça
cansei de fazer
alianças só pra perder no ralo da pia uma voz macia
ja me dizia:
o início se funde ao fim
tudo começa com sangue
e termina
unanimamente
em mim.
o maior desespero
daquele pássaro
era voar
daquele pássaro
era voar
o pesadelo do olhar
era ver
era ver
seus doces, seus salgados
indo lancheira abaixo
todos comiam:
menos ele
indo lancheira abaixo
todos comiam:
menos ele
ele era solitáro
e tacanho
dizia coisa sem cabimento
e seu limítrofe e pequeno tamanho
não continha
sequer seus gestos
e tacanho
dizia coisa sem cabimento
e seu limítrofe e pequeno tamanho
não continha
sequer seus gestos
dizer que usava óculos
era dizer pouco
sua boca
pedia soco
era dizer pouco
sua boca
pedia soco
seu jeito de andar
pedia briga
pedia briga
sua família
- não falemos dela
a família faliu há muitos anos
que sua mãe bebe demais
e seu pai não ganha mais dinheiro
a família faliu há muitos anos
que sua mãe bebe demais
e seu pai não ganha mais dinheiro
ao chão seu mundo intreiro
há de rastejar por muito tempo
e por algum emprego
há de rastejar por muito tempo
e por algum emprego
não há erro
nem cálculo
por seu próprio proveito
por que não morre agora
simplesmente de câncer?
porque câncer não é tão simples assim,
nem rotineiro
nem cálculo
por seu próprio proveito
por que não morre agora
simplesmente de câncer?
porque câncer não é tão simples assim,
nem rotineiro
e se tem o modo inteiro para morrer...
por que não continuar
vivo?
por que não continuar
vivo?
o buraco
só aumenta
quando o sacro
se ausenta
sinto o sal da sua presença
a sombra que aqui habita
não hesita nem reflete
há parasitas entre serpentes
enquanto
eu saio de fininho
no bolso
um isqueiro,
três trocados
amassados,
para comer de noite.
a vida leva o sopro da morte
eterna quando seus olhos encerram
uma passagem entediante da bíblia
se eu pudesse
deixaria ainda mais longe
sem água, nem carona
na tempestade de areia
do seu próprio deserto
mas espero
esperto e desperto
seu próximo ato de desespero
com esmero
selo
minha boca
às coisas poucas
que com suas mãos mocas
você me oferece.
deixaria ainda mais longe
sem água, nem carona
na tempestade de areia
do seu próprio deserto
mas espero
esperto e desperto
seu próximo ato de desespero
com esmero
selo
minha boca
às coisas poucas
que com suas mãos mocas
você me oferece.
E se você soubesse
Que cada passo apressado
É um passo mais rápido para morte...
Que cada passo apressado
É um passo mais rápido para morte...
Se você tivesse a sorte
De ficar parado, no pasto,
Pensando
De ficar parado, no pasto,
Pensando
O sol a lhe brindar na pele
Raios de puro amor
Apartidário
Mirar-se-ia na mata
Em que se abrem e morrem
Sempre e nunca as mesmas
Flores..
Raios de puro amor
Apartidário
Mirar-se-ia na mata
Em que se abrem e morrem
Sempre e nunca as mesmas
Flores..
O céu lhe diria em silencioso azul
Sem pudores
O que ninguém com tanta potência impaciente compreenderia
Sem pudores
O que ninguém com tanta potência impaciente compreenderia
Enquanto houver Londres
Enquanto houver Londres
haverá esperança de que um dia eu possa ir até lá
contemplar nuvens cinzentas acima do Big Ben.
contemplar nuvens cinzentas acima do Big Ben.
Ora, enquanto houver jardineiras de grávida e martinis o suficiente para esta noite, haverá esperança de que eu fique realmente bem, como se estivesse de férias de um longo e árduo trabalho -
de parto.
Partirei ao meio meus receios
partirei de malas prontas
para Londres, para longe desse burburinho em excesso
tudo que dissermos: será em excesso
as mortes, os acidentes nucleares, as bombas, as crianças
afogadas
em palavras de pseudofelicidade
Enquanto houver esse murmúrio dantesco incessante e midiático, todas as palavras se perderão no tempo-espaço
e escrever será tão útil quanto fazer silêncio,
posto que o silêncio
será mais agradável.
posto que o silêncio
será mais agradável.
Carrego uma bagagem
triste e pesada,
caindo aos pedaços...
Um sorriso que chora,
uma emboscada.
Sufoco aos poucos na
felicidade perfeita
a pronta entrega,
embalada a vacuo
para viagem
que levo até o carro e devoro sem notar
enquanto dirijo e nenhum
cigarro basta,
e nem sei quantas latas
seriam suficientes
para substituir um
coração incrédulo,
latente e exaurido
por expectativas
gastas...
Mas em Oz só posso ser a triste mulher de lata
a procura de um coração
que bata
um pouco mais depressa,
enquanto
você
passa
triste e pesada,
caindo aos pedaços...
Um sorriso que chora,
uma emboscada.
Sufoco aos poucos na
felicidade perfeita
a pronta entrega,
embalada a vacuo
para viagem
que levo até o carro e devoro sem notar
enquanto dirijo e nenhum
cigarro basta,
e nem sei quantas latas
seriam suficientes
para substituir um
coração incrédulo,
latente e exaurido
por expectativas
gastas...
Mas em Oz só posso ser a triste mulher de lata
a procura de um coração
que bata
um pouco mais depressa,
enquanto
você
passa
O dia em que te perdoei em segredo
a gota que cai do orvalho da flor
é a mesma gota de dor
desprendendo-se da chuva
a tempestade inteira
existe para sorrir irônica
em sete fragmentos de luz
em um arco-riso
no céu
seus ânimos acalmados
calam-se na brisa inexprimível da noite
é a mesma gota de dor
desprendendo-se da chuva
a tempestade inteira
existe para sorrir irônica
em sete fragmentos de luz
em um arco-riso
no céu
seus ânimos acalmados
calam-se na brisa inexprimível da noite
tudo é silêncio e simples
a folha velha se vai
para o broto continuar
este amor doido
chamado gosto de fruta
a folha velha se vai
para o broto continuar
este amor doido
chamado gosto de fruta
tangerinas transgêneras
goiabas brancas ou vermelhas
acerolas maduras
ou abacates marcianos verdes
como um caroço no
seio
goiabas brancas ou vermelhas
acerolas maduras
ou abacates marcianos verdes
como um caroço no
seio
tudo me veio
num relâmpago,
num lampejo
de lampião
num relâmpago,
num lampejo
de lampião
Hoje é o dia do perdão
Os amanhãs:
perder-se-ão.
Os amanhãs:
perder-se-ão.
Malandro quando ele olha com rabo de zói espiando atrás do cigarro paieiro
Eu fico bamba as cadera me dói de tanto balançar minha rede
O peixe que me atira o anzol me pesca me leva pro tanque
Me mói
Tira minha cabeça e o resto
Come com shoyo
Vem cá ver, eu lhe mostro
O monstro mora na minha
Barriga
Por isso agora sem tripa
Lhe digo
Pode comer o meu
Corpo nu
No seu aquário sou raro e
Fecundo
Suas paredes de vidro
Um mundo
O passo se peco me perco
Me rói
Ruído sofrido de ser vagabundo,
Invado seu mundo me mudo
E mudo calado me abate um baque profundo
E tá difícil e lindo e sublime
Subir o declive enfrentar o declínio
Não tenho nome, nem fama,
Nem fé eu sou só
Um passarinho subindo
Eu sou só
Um passarinho subindo.
Eu fico bamba as cadera me dói de tanto balançar minha rede
O peixe que me atira o anzol me pesca me leva pro tanque
Me mói
Tira minha cabeça e o resto
Come com shoyo
Vem cá ver, eu lhe mostro
O monstro mora na minha
Barriga
Por isso agora sem tripa
Lhe digo
Pode comer o meu
Corpo nu
No seu aquário sou raro e
Fecundo
Suas paredes de vidro
Um mundo
O passo se peco me perco
Me rói
Ruído sofrido de ser vagabundo,
Invado seu mundo me mudo
E mudo calado me abate um baque profundo
E tá difícil e lindo e sublime
Subir o declive enfrentar o declínio
Não tenho nome, nem fama,
Nem fé eu sou só
Um passarinho subindo
Eu sou só
Um passarinho subindo.
Amores líquidos
Primeiro me apaixonei pelo seu cheiro.
O ciúme homicida
aos poucos, porém, ensina
a paralisia facial cínica
Tudo que remeta a nossas metidas hei de devolver aos poucos meus uivos às ruas, devolverei edemas aos vasos linfáticos.
Nuca, braços, arrepio no bico do peito.
A estranha voz e o sorriso enigmático.
A estranha voz e o sorriso enigmático.
O ciúme homicida
aos poucos, porém, ensina
a paralisia facial cínica
o gesto dramático de fazer as malas e deixar o que não pode ser:
os livros, perfume, os filmes, tudo que possa lembrar você.
Tudo que remeta a nossas metidas hei de devolver aos poucos meus uivos às ruas, devolverei edemas aos vasos linfáticos.
Só não devolverei
o que não sei distinguir se sou eu ou você.
Quando eu descobri que você jurou
amor à Júlia
Prometeu se casar com a Sarah
Fez comédia e drama para transar com a Mariana
quando eu descobri você
pilantra, sim
sólido, jamais.
sólido, jamais.
Escorreu-me pelos dedos depois pelos ralos cabelos e meu olhar preocupado.
você é passado
E meu presente sou eu
Sou um regalo
a tudo que já me pertenceu.
a mulher amanheceu
de sua noite
de sua noite
intranquila
rompeu fibras
cardíacas
cardíacas
sentiu que
a manhã seria mais limpa
não haveria o sangue das suas crianças
não
haveria mais as nuvens
seriam de algodão
a manhã seria mais limpa
não haveria o sangue das suas crianças
não
haveria mais as nuvens
seriam de algodão
os senhores não ficarão mais ofendidos
quando o prazer espalhar-se
por todas as castas, em todos os gostos, em todas as bocas
quando o prazer espalhar-se
por todas as castas, em todos os gostos, em todas as bocas
Em todas as casas
Deus perdoará
os homens
A mulher os perdoará
e uma guirlanda de flores
irá coroar a
nova rainha do lar
a nova rainha natural das coisas da vida
Deus perdoará
os homens
A mulher os perdoará
e uma guirlanda de flores
irá coroar a
nova rainha do lar
a nova rainha natural das coisas da vida
animais serão libertados,
as crianças serão libertadas,
as crianças serão libertadas,
a mulher decapitará o gordo senhor de bigodes e óculos que por séculos
confinou seus óvulos,
entre bens, cavalos, terras e escravas
confinou seus óvulos,
entre bens, cavalos, terras e escravas
e sã e salva
a mulher dará à Luz
um novo Ser
a mulher dará à Luz
um novo Ser
nascerá forte
de suas raízes mais íntimas
e femininas
o fundamental
respeito à liberdade e
e à vida
de suas raízes mais íntimas
e femininas
o fundamental
respeito à liberdade e
e à vida
A luva engole os dedos na textura delicada da seda
Ainda é cedo para ser
Temerária
Peguei minha arma
Calibre 35 anos encarcerada
E dei um tiro, dois, três...
Os miolos voavam
Exibidos do teto ao
Útero materno
Limpei discretamente
Um pedacinho de carne humana
Da cara. Tirei as luvas
Guardei a arma.
Estou exausta.
Ainda é cedo para ser
Temerária
Peguei minha arma
Calibre 35 anos encarcerada
E dei um tiro, dois, três...
Os miolos voavam
Exibidos do teto ao
Útero materno
Limpei discretamente
Um pedacinho de carne humana
Da cara. Tirei as luvas
Guardei a arma.
Estou exausta.
O Ista ia pela rua e o filho do Eike Batista quase o atropelou.
Por Odim, shake now baby,
o que faremos com essas paredes
vermelhas?
Por Odim, shake now baby,
o que faremos com essas paredes
vermelhas?
Na sala se fala muita besteira
as vozes apodrecem aos poucos
O locutor fica rouco
A violeta depressiva
Esconde-se em um lamentável vaso plástico
faz a cínica
as vozes apodrecem aos poucos
O locutor fica rouco
A violeta depressiva
Esconde-se em um lamentável vaso plástico
faz a cínica
Mas é aquela velha preta que mexe o purê, serve as vasílias, os talheres prateados na toalha branca e limpa.
Os sinos da Igreja badalavam,
mas os fiéis, não,
estes faziam silêncio meditativo,
ao passo que as horas se arrastavam, a deixar um caminho melado de lesma,
para trás.
E todos bocejavam o mesmo hálito úmido
dos móveis mofados.
E dirigiam o mesmo tédio eterno às suas Escrituras.
Se o paraíso se parece com isso,
Mandaram-me ao inferno,
e durante a noite eu vibro feito fogo
e me sinto mais vivo que morto
as alegrias efêmeras inflamam minhas veias
eu suo e sujo seja
o resto dos meus singelos dias
amarelos e noites escuras que ilumino
como a acidez do vinho
como a avidez do veneno
os lábios é o pedaço de uma mulher
mais difícil de esquecer.
mas os fiéis, não,
estes faziam silêncio meditativo,
ao passo que as horas se arrastavam, a deixar um caminho melado de lesma,
para trás.
E todos bocejavam o mesmo hálito úmido
dos móveis mofados.
E dirigiam o mesmo tédio eterno às suas Escrituras.
Se o paraíso se parece com isso,
Mandaram-me ao inferno,
e durante a noite eu vibro feito fogo
e me sinto mais vivo que morto
as alegrias efêmeras inflamam minhas veias
eu suo e sujo seja
o resto dos meus singelos dias
amarelos e noites escuras que ilumino
como a acidez do vinho
como a avidez do veneno
os lábios é o pedaço de uma mulher
mais difícil de esquecer.
Eu vou ficando menos desaparecendo
Enquanto os seus dias são iguais
As meninas têm cheiro de balalaika no hábito
Mentoladas
Você se apaixonou pela minha sombra.
Eu estou, ainda, quedada em mim.
Mais sedada que o verde enrolado em papel de seda lilás
Continuo insatisfeita depois da décima trepada
Ainda quero mais
turbar
Eu ainda quero
Mas os seus dias
Costumam ter cheiro de lar
Mesmo me fazendo pedra dura dessas que não brilham
e nada valem
a verdade é que sinto
falta
é difícil dizer
sua
Não adianta atrasar os ponteiros
não voltam atrás
Queria ganhar uma surra de bocas vorazes e seus batons
borrados
Mas
Acho que a festa acabou no capô do carro os últimos covidados se despedem com um tapa nas costas e outro
no baseado
Enquanto os seus dias são iguais
As meninas têm cheiro de balalaika no hábito
Mentoladas
Você se apaixonou pela minha sombra.
Eu estou, ainda, quedada em mim.
Mais sedada que o verde enrolado em papel de seda lilás
Continuo insatisfeita depois da décima trepada
Ainda quero mais
turbar
Eu ainda quero
Mas os seus dias
Costumam ter cheiro de lar
Mesmo me fazendo pedra dura dessas que não brilham
e nada valem
a verdade é que sinto
falta
é difícil dizer
sua
Não adianta atrasar os ponteiros
não voltam atrás
Queria ganhar uma surra de bocas vorazes e seus batons
borrados
Mas
Acho que a festa acabou no capô do carro os últimos covidados se despedem com um tapa nas costas e outro
no baseado
último poema
Este é o último poema que lhe escrevo
ao alvorecer
uma dedicatória simples
que contenha mais algodão que mágoa
mais doce como sempre foi amargo
é que você tem um jeito bobo, moço,
que deixa meu olho borrado
e minha garganta apertada na fumaça do cigarro.
Trago engasgado
este último poema
um gole no gargalo,
uma gargalhada
ao alvorecer
uma dedicatória simples
que contenha mais algodão que mágoa
mais doce como sempre foi amargo
é que você tem um jeito bobo, moço,
que deixa meu olho borrado
e minha garganta apertada na fumaça do cigarro.
Trago engasgado
este último poema
um gole no gargalo,
uma gargalhada
enquanto seu circo pega fogo,
eu sou o palhaço
eu sou o palhaço
Estou indo embora de vez
da sua memória
levo até meus sapatos
que demasiado estrago
já causei na bagunça da sua cabeça
e antes que me esqueça
devolvo seus livros emprestados
da sua memória
levo até meus sapatos
que demasiado estrago
já causei na bagunça da sua cabeça
e antes que me esqueça
devolvo seus livros emprestados
amortizo nossa última dívida
divido só comigo mesma
pesadelos naufragados,
torres fulminadas
divido só comigo mesma
pesadelos naufragados,
torres fulminadas
Nossas esquinas,
nossas tardes na calçada
agora são bocas e caras atormentadas
nossas tardes na calçada
agora são bocas e caras atormentadas
desculpe mas
sou uma criança autista e mimada
um campo de concentração minado
escuta meu pigarro
ele diz muito
sobre meu estado
precário...
sou uma criança autista e mimada
um campo de concentração minado
escuta meu pigarro
ele diz muito
sobre meu estado
precário...
Arde uma artéria
em meu peito
E se eu entendi direito
voar tem o mesmo efeito
espirado da fumaça
em meu peito
E se eu entendi direito
voar tem o mesmo efeito
espirado da fumaça
tenho vontade de continuar
vivendo, a maior parte do tempo
é a menor parte de mim
vivendo, a maior parte do tempo
é a menor parte de mim
antes também não houvesse mentido
não era bom mas tão longe de ruim
que não ruía nem emitia sentido:
era bebedeira que
não quebra com
preguiça, com mandinga
nem com fingimento
não era bom mas tão longe de ruim
que não ruía nem emitia sentido:
era bebedeira que
não quebra com
preguiça, com mandinga
nem com fingimento
o prazer obscuro de sentir dor
logo abaixo da cintura,
fissura
raiva e tesão ao mesmo tempo
fissura
raiva e tesão ao mesmo tempo
e tudo se resume a um breve momento
um piscar de olhos do
tempo-espaço.
um piscar de olhos
um piscar de olhos do
tempo-espaço.
um piscar de olhos
poema do interior que foi para cidade grande
Quando a lua bater
simplesmente abra
seu guarda-luz-de-lua
simplesmente abra
seu guarda-luz-de-lua
o espaço necessário
entre a minha saliva fiada e a
sua estrela cadente
murmurada
dentro de tal esnobe peito
o meu defeito
já iluminou muita sarjeta
em que eu dormi,
sonhos sem teto
viciados em crack
e travestis siliconados
na madrugada Augusta
de Sampa.
entre a minha saliva fiada e a
sua estrela cadente
murmurada
dentro de tal esnobe peito
o meu defeito
já iluminou muita sarjeta
em que eu dormi,
sonhos sem teto
viciados em crack
e travestis siliconados
na madrugada Augusta
de Sampa.
um coração purulento
pulsando sangue
e não há unguento
que aguente tanta
fome
pulsando sangue
e não há unguento
que aguente tanta
fome
se não engolir a vida inteira
ela pode engasgar na garganta
e depois não adianta
chorar o cadáver derramado
ela pode engasgar na garganta
e depois não adianta
chorar o cadáver derramado
tive tantos amigos sábios
no momento
estão todos
se fodendo
no momento
estão todos
se fodendo
chupando os ossos
da asinha de frango
fumando as bitucas
da sarjeta
lambendo botas
comendo um cu
ou uma boceta
da asinha de frango
fumando as bitucas
da sarjeta
lambendo botas
comendo um cu
ou uma boceta
a tênue dança entre
suas pernas
suas pernas
e a linha reta
o ondular nas costas
do seu cabelo preso
por uma fita vermelha
o ondular nas costas
do seu cabelo preso
por uma fita vermelha
quem tem mais sede
a vida ou a gente?
quem tem medo
não tem nada,
só razão.
a vida ou a gente?
quem tem medo
não tem nada,
só razão.
Tenho medo de ser enganada
por mim mesma, ao longo de uma longa conversa
dessas que nunca são a sós, por mais que se esteja
por mim mesma, ao longo de uma longa conversa
dessas que nunca são a sós, por mais que se esteja
Tenho medo de derramar molho no olho dos outros
de tropeçar em minhas próprias mãos
de cair de boca em uma outra
calda de cereja
de tropeçar em minhas próprias mãos
de cair de boca em uma outra
calda de cereja
De me tornar a minha própria obsessão
De sentir tesão em horários impróprios
De sentir tesão em horários impróprios
de bater à porta de banheiros públicos
de rastejar
de certos sons
de rastejar
de certos sons
Tenho medo do medo e da vergonha
Tenho medo da morte
E de assombração, já que as sombras são assim
assustadoras em si.
Tenho medo da morte
E de assombração, já que as sombras são assim
assustadoras em si.
Tenho medo de tocar
uma pele tão diferente da minha
e medo que essa pele me
toque de volta.
uma pele tão diferente da minha
e medo que essa pele me
toque de volta.
acre ditadores
a verdade estava lá
escolhendo um vinil pela capa
porque
tudo era muito antigo
no estilo de vida
dos acreditadores
escolhendo um vinil pela capa
porque
tudo era muito antigo
no estilo de vida
dos acreditadores
alguns vieram de repúblicas
estudantis não democráticas
com gravíssimos casos de desvio de verbas
para a nova mesa de bilhar e
e todo aquele macarrão instantâneo
produziam gases e opiniões
particularmente
desagradáveis
estudantis não democráticas
com gravíssimos casos de desvio de verbas
para a nova mesa de bilhar e
e todo aquele macarrão instantâneo
produziam gases e opiniões
particularmente
desagradáveis
digo, os acreditadores nascerem para
serem inteligentes e altruístas
visionários de um mundo sem volta
serem inteligentes e altruístas
visionários de um mundo sem volta
mas ninguém quer conhecer a verdade que está até agora solitária segurando um copo de cerveja a procurar um som na vitrola que possa agradar]
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