Eu vou ficando menos desaparecendo
Enquanto os seus dias são iguais
As meninas têm cheiro de balalaika no hábito
Mentoladas
Você se apaixonou pela minha sombra.
Eu estou, ainda, quedada em mim.
Mais sedada que o verde enrolado em papel de seda lilás
Continuo insatisfeita depois da décima trepada
Ainda quero mais
turbar
Eu ainda quero
Mas os seus dias
Costumam ter cheiro de lar
Mesmo me fazendo pedra dura dessas que não brilham
e nada valem
a verdade é que sinto
falta
é difícil dizer
sua
Não adianta atrasar os ponteiros
não voltam atrás
Queria ganhar uma surra de bocas vorazes e seus batons
borrados
Mas
Acho que a festa acabou no capô do carro os últimos covidados se despedem com um tapa nas costas e outro
no baseado
17 julho 2016
último poema
Este é o último poema que lhe escrevo
ao alvorecer
uma dedicatória simples
que contenha mais algodão que mágoa
mais doce como sempre foi amargo
é que você tem um jeito bobo, moço,
que deixa meu olho borrado
e minha garganta apertada na fumaça do cigarro.
Trago engasgado
este último poema
um gole no gargalo,
uma gargalhada
ao alvorecer
uma dedicatória simples
que contenha mais algodão que mágoa
mais doce como sempre foi amargo
é que você tem um jeito bobo, moço,
que deixa meu olho borrado
e minha garganta apertada na fumaça do cigarro.
Trago engasgado
este último poema
um gole no gargalo,
uma gargalhada
enquanto seu circo pega fogo,
eu sou o palhaço
eu sou o palhaço
Estou indo embora de vez
da sua memória
levo até meus sapatos
que demasiado estrago
já causei na bagunça da sua cabeça
e antes que me esqueça
devolvo seus livros emprestados
da sua memória
levo até meus sapatos
que demasiado estrago
já causei na bagunça da sua cabeça
e antes que me esqueça
devolvo seus livros emprestados
amortizo nossa última dívida
divido só comigo mesma
pesadelos naufragados,
torres fulminadas
divido só comigo mesma
pesadelos naufragados,
torres fulminadas
Nossas esquinas,
nossas tardes na calçada
agora são bocas e caras atormentadas
nossas tardes na calçada
agora são bocas e caras atormentadas
desculpe mas
sou uma criança autista e mimada
um campo de concentração minado
escuta meu pigarro
ele diz muito
sobre meu estado
precário...
sou uma criança autista e mimada
um campo de concentração minado
escuta meu pigarro
ele diz muito
sobre meu estado
precário...
Arde uma artéria
em meu peito
E se eu entendi direito
voar tem o mesmo efeito
espirado da fumaça
em meu peito
E se eu entendi direito
voar tem o mesmo efeito
espirado da fumaça
tenho vontade de continuar
vivendo, a maior parte do tempo
é a menor parte de mim
vivendo, a maior parte do tempo
é a menor parte de mim
antes também não houvesse mentido
não era bom mas tão longe de ruim
que não ruía nem emitia sentido:
era bebedeira que
não quebra com
preguiça, com mandinga
nem com fingimento
não era bom mas tão longe de ruim
que não ruía nem emitia sentido:
era bebedeira que
não quebra com
preguiça, com mandinga
nem com fingimento
o prazer obscuro de sentir dor
logo abaixo da cintura,
fissura
raiva e tesão ao mesmo tempo
fissura
raiva e tesão ao mesmo tempo
e tudo se resume a um breve momento
um piscar de olhos do
tempo-espaço.
um piscar de olhos
um piscar de olhos do
tempo-espaço.
um piscar de olhos
poema do interior que foi para cidade grande
Quando a lua bater
simplesmente abra
seu guarda-luz-de-lua
simplesmente abra
seu guarda-luz-de-lua
o espaço necessário
entre a minha saliva fiada e a
sua estrela cadente
murmurada
dentro de tal esnobe peito
o meu defeito
já iluminou muita sarjeta
em que eu dormi,
sonhos sem teto
viciados em crack
e travestis siliconados
na madrugada Augusta
de Sampa.
entre a minha saliva fiada e a
sua estrela cadente
murmurada
dentro de tal esnobe peito
o meu defeito
já iluminou muita sarjeta
em que eu dormi,
sonhos sem teto
viciados em crack
e travestis siliconados
na madrugada Augusta
de Sampa.
um coração purulento
pulsando sangue
e não há unguento
que aguente tanta
fome
pulsando sangue
e não há unguento
que aguente tanta
fome
se não engolir a vida inteira
ela pode engasgar na garganta
e depois não adianta
chorar o cadáver derramado
ela pode engasgar na garganta
e depois não adianta
chorar o cadáver derramado
tive tantos amigos sábios
no momento
estão todos
se fodendo
no momento
estão todos
se fodendo
chupando os ossos
da asinha de frango
fumando as bitucas
da sarjeta
lambendo botas
comendo um cu
ou uma boceta
da asinha de frango
fumando as bitucas
da sarjeta
lambendo botas
comendo um cu
ou uma boceta
a tênue dança entre
suas pernas
suas pernas
e a linha reta
o ondular nas costas
do seu cabelo preso
por uma fita vermelha
o ondular nas costas
do seu cabelo preso
por uma fita vermelha
quem tem mais sede
a vida ou a gente?
quem tem medo
não tem nada,
só razão.
a vida ou a gente?
quem tem medo
não tem nada,
só razão.
Tenho medo de ser enganada
por mim mesma, ao longo de uma longa conversa
dessas que nunca são a sós, por mais que se esteja
por mim mesma, ao longo de uma longa conversa
dessas que nunca são a sós, por mais que se esteja
Tenho medo de derramar molho no olho dos outros
de tropeçar em minhas próprias mãos
de cair de boca em uma outra
calda de cereja
de tropeçar em minhas próprias mãos
de cair de boca em uma outra
calda de cereja
De me tornar a minha própria obsessão
De sentir tesão em horários impróprios
De sentir tesão em horários impróprios
de bater à porta de banheiros públicos
de rastejar
de certos sons
de rastejar
de certos sons
Tenho medo do medo e da vergonha
Tenho medo da morte
E de assombração, já que as sombras são assim
assustadoras em si.
Tenho medo da morte
E de assombração, já que as sombras são assim
assustadoras em si.
Tenho medo de tocar
uma pele tão diferente da minha
e medo que essa pele me
toque de volta.
uma pele tão diferente da minha
e medo que essa pele me
toque de volta.
acre ditadores
a verdade estava lá
escolhendo um vinil pela capa
porque
tudo era muito antigo
no estilo de vida
dos acreditadores
escolhendo um vinil pela capa
porque
tudo era muito antigo
no estilo de vida
dos acreditadores
alguns vieram de repúblicas
estudantis não democráticas
com gravíssimos casos de desvio de verbas
para a nova mesa de bilhar e
e todo aquele macarrão instantâneo
produziam gases e opiniões
particularmente
desagradáveis
estudantis não democráticas
com gravíssimos casos de desvio de verbas
para a nova mesa de bilhar e
e todo aquele macarrão instantâneo
produziam gases e opiniões
particularmente
desagradáveis
digo, os acreditadores nascerem para
serem inteligentes e altruístas
visionários de um mundo sem volta
serem inteligentes e altruístas
visionários de um mundo sem volta
mas ninguém quer conhecer a verdade que está até agora solitária segurando um copo de cerveja a procurar um som na vitrola que possa agradar]
coloque no papel
azul ou verde,
amarelo ou violento.
azul ou verde,
amarelo ou violento.
não se esqueça do nanquim
suave venha a mim
um momento
em que seremos lindos,
lidos e ouvidos.
suave venha a mim
um momento
em que seremos lindos,
lidos e ouvidos.
haverá também o silêncio que precede o grito
o surto susto astuto
a crise please repeat
your password again
a crise please repeat
your password again
e uma passagem
minha e sua
para além de Belém
muito aquém dos nossos
planos
para dominar o mundo
neste final de semana.
minha e sua
para além de Belém
muito aquém dos nossos
planos
para dominar o mundo
neste final de semana.
16 julho 2016
eu só pedi
para ser normal
para ser normal
foi deus quem disse
amigo, nem a pau!
amigo, nem a pau!
a minha fábrica
um dia dá defeito
e com efeito
serás tu eleito
a chacota
da noite
a piada
do pássaro
a viagem da doida
da estação
Paraíso
um dia dá defeito
e com efeito
serás tu eleito
a chacota
da noite
a piada
do pássaro
a viagem da doida
da estação
Paraíso
por isso
te curti no metrô
e conheci minha mina
te curti no metrô
e conheci minha mina
num camelô
sou todo mundo
que não é você
que não é você
não vejo futebol nem gosto
de tevê
de tevê
sou estranho
e tenho até crachá
arrumei um nome
e um Orixá
e tenho até crachá
arrumei um nome
e um Orixá
e enquanto
você se assusta
vou assoviando
pela rua Augusta
você se assusta
vou assoviando
pela rua Augusta
os minutos
são diminutos
sessenta vezes sessenta cliques
obsessivo-transtornados
são diminutos
sessenta vezes sessenta cliques
obsessivo-transtornados
basta
um minuto
acordado
e me sinto
mais atordoado
que em sete semanas
sem dormir
um minuto
acordado
e me sinto
mais atordoado
que em sete semanas
sem dormir
sete virgens do rosário
rogando
praga
os minutos são pequenos vermes
roendo a irrealidade,
o sonho de Brahma e não,
não é a número
Um
rogando
praga
os minutos são pequenos vermes
roendo a irrealidade,
o sonho de Brahma e não,
não é a número
Um
Os minutos me fazem falta
os sete minutos que sufocaram um gato
um minuto para cada vida
minutos passam
atrevidos
nas pernas finas
do
ponteiro
os sete minutos que sufocaram um gato
um minuto para cada vida
minutos passam
atrevidos
nas pernas finas
do
ponteiro
meios minutos
que valem
por um
inteiro
a
toda hora
fragmentado
esquálido
no risco
do
relógio
vejo
o minuto move
montanhas
que valem
por um
inteiro
a
toda hora
fragmentado
esquálido
no risco
do
relógio
vejo
o minuto move
montanhas
sobre sábados
sábados são vagos
como são os afagos
do meninos drogados
afoitos e afogados
em perspectivas e perseguições
como são os afagos
do meninos drogados
afoitos e afogados
em perspectivas e perseguições
são lindos lírios em seus devidos lugares
delirantes vagões sublunares
delirantes vagões sublunares
sou eu pedindo desculpas após pisar
nos pés de alguém
tentando pegar bebidas
no balcão
sendo totalmente
ignorada
nos pés de alguém
tentando pegar bebidas
no balcão
sendo totalmente
ignorada
sábados são como subitamente
tropeçar seus olhos
no boy magia
e imaginar carentes carícias: carne vai, carne vem
e no fim
têm mais gel do que deveria
têm pouca purpurina
tropeçar seus olhos
no boy magia
e imaginar carentes carícias: carne vai, carne vem
e no fim
têm mais gel do que deveria
têm pouca purpurina
sábados são ocos,
tolos e
os outros,
nos quais eu trabalho até tarde e vou dormir de porre de
porra nenhuma,
são mais interessantes
são os que levam a diante a semana
sórdida seguinte
tolos e
os outros,
nos quais eu trabalho até tarde e vou dormir de porre de
porra nenhuma,
são mais interessantes
são os que levam a diante a semana
sórdida seguinte
porém
os sábados são os únicos capazes de me arrepiar a nuca
são insanos e são
tão poucos
ao longo da semana
os sábados são os únicos capazes de me arrepiar a nuca
são insanos e são
tão poucos
ao longo da semana
um coração purulento
pulsando sangue
e não há unguento
que aguente tanta
fome
pulsando sangue
e não há unguento
que aguente tanta
fome
se não engolir a vida inteira
ela pode engasgar na garganta
e depois não adianta
chorar o cadáver derramado
ela pode engasgar na garganta
e depois não adianta
chorar o cadáver derramado
tive tantos amigos sábios
no momento
estão todos
se fodendo
no momento
estão todos
se fodendo
chupando os ossos
da asinha de frango
fumando as bitucas
da sarjeta
lambendo botas
comendo um cu
ou uma boceta
da asinha de frango
fumando as bitucas
da sarjeta
lambendo botas
comendo um cu
ou uma boceta
a tênue dança entre
suas pernas
e a linha reta
o ondular nas costas
do seu cabelo preso
por uma fita vermelha
suas pernas
e a linha reta
o ondular nas costas
do seu cabelo preso
por uma fita vermelha
quem tem mais sede
a vida ou a gente?
quem tem medo
não tem nada,
só razão.
a vida ou a gente?
quem tem medo
não tem nada,
só razão.
Animalia
ainda hoje eu era um dia qualquer com ruas dentro
com avenidas, engarrafamento e gás tóxico saindo das narinas
com avenidas, engarrafamento e gás tóxico saindo das narinas
ontem eu fui aquele corpo que comi queimado, o sangue que desnaturou e ficou cinza, cor de carne cozida, moída e o molho de tomate
em cima
quiçá eu seja um livro que viajou dias
ou a figueira muito velha da praça que ainda está lá
enquanto as pessoas que amei
já se foram...
ou a figueira muito velha da praça que ainda está lá
enquanto as pessoas que amei
já se foram...
Eu fico segurando as pontas
enquanto ela festiva sai no esquema esquiva
A furtividade de suas cores
refletida em velhos caleidoscópios
enquanto ela festiva sai no esquema esquiva
A furtividade de suas cores
refletida em velhos caleidoscópios
Eu fico segurando as pontas enquanto é sempre ela que arruma a seda
que acorda cedo
que lava mais os cabelos
e sai para trabalhar
que acorda cedo
que lava mais os cabelos
e sai para trabalhar
Já não adianta
não vai ter golpe,
nem vai ter janta
não vai ter golpe,
nem vai ter janta
Vanessa Yves
lenta, gótica e lânguida
saltei na selva satânica
cai na solidão
de para-quedas nesse paredão
o muro me esmurrava e só dizia
não
cai na solidão
de para-quedas nesse paredão
o muro me esmurrava e só dizia
não
as cores eram cinza-espuma em comunhão com minha sintonia e meus sintomas de confusão
desabava água dos meus olhos e lá do céu - que agonia não se via pássaros apenas meus passos molhados caídos em água fria do chão]
lerda, lógica e titânica
levantei os cílios borrados de rímel e ri, meu deus, o mel
é mais doce entre o tétrico e o tântrico
levantei os cílios borrados de rímel e ri, meu deus, o mel
é mais doce entre o tétrico e o tântrico
Vá com Baco, meu amor
nem que seja pro Buraco e essa dor, esse uivo,
vai passar do ponto
vai virar churrasco
vai virar fiasco e o primeiro convidado
comerá farias cruas do meu coração
nem que seja pro Buraco e essa dor, esse uivo,
vai passar do ponto
vai virar churrasco
vai virar fiasco e o primeiro convidado
comerá farias cruas do meu coração
Do Luto
Tudo que a mão toca
e permanece ali
encontrado aos olhos
e permanece ali
encontrado aos olhos
parece tão estranho
enquanto morre
a mão que tocou
aquilo tudo
que fica pela casa:
a xícara, o copo, os livros não lidos,
os vasos, o sofá, a estante...
parece tão estranho e distante
que petrifica
enquanto morre
a mão que tocou
aquilo tudo
que fica pela casa:
a xícara, o copo, os livros não lidos,
os vasos, o sofá, a estante...
parece tão estranho e distante
que petrifica
Tenho medo de ser enganada
por mim mesma, ao longo de uma longa conversa
dessas que nunca são a sós, por mais que se esteja
por mim mesma, ao longo de uma longa conversa
dessas que nunca são a sós, por mais que se esteja
Tenho medo de derramar molho no olho dos outros
de tropeçar em minhas próprias mãos
de cair de boca em uma outra
calda de cereja
de tropeçar em minhas próprias mãos
de cair de boca em uma outra
calda de cereja
De me tornar a minha própria obsessão
De sentir tesão em horários impróprios
De sentir tesão em horários impróprios
de bater à porta de banheiros públicos
de rastejar
de certos sons
de rastejar
de certos sons
Tenho medo do medo e da vergonha
Tenho medo da morte
E de assombração, já que as sombras são assim
assustadoras em si.
Tenho medo da morte
E de assombração, já que as sombras são assim
assustadoras em si.
Tenho medo de tocar
uma pele tão diferente da minha
e medo que essa pele me
toque de volta.
uma pele tão diferente da minha
e medo que essa pele me
toque de volta.
Da imagética no capitalismo
olhos sintéticos
cheios de luz
quem tem tempo
de pintar as próprias unhas?
cheios de luz
quem tem tempo
de pintar as próprias unhas?
os colegas
comem pizza sem oferecer
vão a bonitos lugares
salutar os pulmões
comem pizza sem oferecer
vão a bonitos lugares
salutar os pulmões
realmente vão usar
os sais de banho
comprados no ano
passado
os sais de banho
comprados no ano
passado
vão competir a respeito
da inteligência dos filhos
bebericando
vinho
da inteligência dos filhos
bebericando
vinho
poderiam até andar de bicicleta aos domingos
se tudo não fosse tão violento
se tudo não fosse tão violento
se o raciocínio das massas não fosse lento
e como seria bom se houvesse
ao menos um jornal decente
para ler enquanto se toma o café
daquela padaria,
a melhor
da cidade,
você sabe.
e como seria bom se houvesse
ao menos um jornal decente
para ler enquanto se toma o café
daquela padaria,
a melhor
da cidade,
você sabe.
15 julho 2016
coloque no papel
azul ou verde,
amarelo ou violento.
azul ou verde,
amarelo ou violento.
não se esqueça do nanquim
suave venha a mim
um momento
em que seremos lindos,
lidos e ouvidos.
suave venha a mim
um momento
em que seremos lindos,
lidos e ouvidos.
haverá também o silêncio que precede o grito
o surto susto astuto
a crise please repeat
your password again
a crise please repeat
your password again
e uma passagem
minha e sua
para além de Belém
muito aquém dos nossos
planos
para dominar o mundo
neste final de semana.
minha e sua
para além de Belém
muito aquém dos nossos
planos
para dominar o mundo
neste final de semana.
eu só pedi
para ser normal
para ser normal
foi deus quem disse
amigo, nem a pau!
amigo, nem a pau!
a minha fábrica
um dia dá defeito
e com efeito
serás tu eleito
a chacota
da noite
a piada
do pássaro
a viagem da doida
da estação
Paraíso
um dia dá defeito
e com efeito
serás tu eleito
a chacota
da noite
a piada
do pássaro
a viagem da doida
da estação
Paraíso
por isso
te curti no metrô
e conheci minha mina
te curti no metrô
e conheci minha mina
num camelô
sou todo mundo
que não é você
que não é você
não vejo futebol nem gosto
de tevê
de tevê
sou estranho
e tenho até crachá
arrumei um nome
e um Orixá
e tenho até crachá
arrumei um nome
e um Orixá
e enquanto
você se assusta
vou assoviando
pela rua Augusta
você se assusta
vou assoviando
pela rua Augusta
politicagem
Era um vez um pobre orgulhoso
Que sonhava ganhar na loteria
queria ser gerente
queria comprar, por exemplo, roupas da haute couture e brilhar
Que sonhava ganhar na loteria
queria ser gerente
queria comprar, por exemplo, roupas da haute couture e brilhar
O pobre orgulhoso não gostava de pobre
e se odiava, por isso, jurando
a si mesmo "É temporário"
chorando em seu pobre travesseiro
sem pena,
nem ganso
e se odiava, por isso, jurando
a si mesmo "É temporário"
chorando em seu pobre travesseiro
sem pena,
nem ganso
E comprava seu mundo perfeito aos poucos
em dez parcelas no cartão
E gostava só de linguiça
se fosse da Perdigão
porque um tal de Luciano anunciou
na televisão
mas ele mesmo, o Luciano, só comia Angélica
e nunca nem tinha provado linguiça
alguma
em dez parcelas no cartão
E gostava só de linguiça
se fosse da Perdigão
porque um tal de Luciano anunciou
na televisão
mas ele mesmo, o Luciano, só comia Angélica
e nunca nem tinha provado linguiça
alguma
O pobre orgulhoso tinha uma longa lista de ódios
o topo da lista era gente
vagabunda
e depois
vinha criança, porque dá trabalho e grita e suja
ódio de bicho, porque faz sujeira
de planta, porque é besteira
de feriado, porque não tem nada pra fazer
e de trabalho porque o deixava exausto
vagabunda
e depois
vinha criança, porque dá trabalho e grita e suja
ódio de bicho, porque faz sujeira
de planta, porque é besteira
de feriado, porque não tem nada pra fazer
e de trabalho porque o deixava exausto
O pobre pobre apodrece
em seu orgulhoso verde e amarelo anti-comunismo
pobre anti-pobre
pobre anti-bolsa
anti-Freire
pobre pró bala,
pró boi
pró Frota
pró bíblia
em seu orgulhoso verde e amarelo anti-comunismo
pobre anti-pobre
pobre anti-bolsa
anti-Freire
pobre pró bala,
pró boi
pró Frota
pró bíblia
o pobre pobre só não sabia que o próximo
a ser pisado
seria ele
e sua família
a ser pisado
seria ele
e sua família
O primeiro emprego
fantasia -Eno e Fanta para sua asia
aos poucos e a esmo os elefantes ficam pasmos,
perdem seu marfim e suas trombas tombam deselegantes no palato que não distingue mais o sabor do amendoim...
os leões idosos e castos recolhem seus bagos e seus caninos, amansam o rugido e lambem a própria pata supondo, talvez, que esta nova ninhada não sobreviva aos dentes e garras de seu sucessor felino.
e obviamente, os únicos animais aptos a fazer cobrança, são as cobras.
manjadas, essas moças escondem-se atrás de óculos e livros.
piores são as que escondem o escuro dos olhos (no fundo, castanhos) no sorriso e se fazem de rosa ou de orquídea.
e nos primeiros dias de Estágio é facilmente detectável que alguns sapos, de fato, têm pelos. Eles crescem no queixo da inspetora de alunos e espetam os olhos malvados das criancinhas.
dois dias de atestado médico equivalem a uma epidemia. se houvesse duas férias ao ano, o que, diabos, eu faria?
e o que mais me agonia é saber que quem anda nos trilhos acaba atropelado pelo trempo
aos poucos e a esmo os elefantes ficam pasmos,
perdem seu marfim e suas trombas tombam deselegantes no palato que não distingue mais o sabor do amendoim...
os leões idosos e castos recolhem seus bagos e seus caninos, amansam o rugido e lambem a própria pata supondo, talvez, que esta nova ninhada não sobreviva aos dentes e garras de seu sucessor felino.
e obviamente, os únicos animais aptos a fazer cobrança, são as cobras.
manjadas, essas moças escondem-se atrás de óculos e livros.
piores são as que escondem o escuro dos olhos (no fundo, castanhos) no sorriso e se fazem de rosa ou de orquídea.
e nos primeiros dias de Estágio é facilmente detectável que alguns sapos, de fato, têm pelos. Eles crescem no queixo da inspetora de alunos e espetam os olhos malvados das criancinhas.
dois dias de atestado médico equivalem a uma epidemia. se houvesse duas férias ao ano, o que, diabos, eu faria?
e o que mais me agonia é saber que quem anda nos trilhos acaba atropelado pelo trempo
09 maio 2016
a vida
é um cisco
um ciso
é um cisco
um ciso
é macia
às quatro horas da tarde
e fria
às quatro da madrugada
às quatro horas da tarde
e fria
às quatro da madrugada
são minhas
essas sandálias aí no quarto
guardo recordações
como quem pede desculpas
são íntimidas
as tentativas de sorrir por dentro
por enquanto, aguento
essas sandálias aí no quarto
guardo recordações
como quem pede desculpas
são íntimidas
as tentativas de sorrir por dentro
por enquanto, aguento
mas haverá momento
em que a lua, uivar só
ou murmurar pragas
não farão diferença
em que a lua, uivar só
ou murmurar pragas
não farão diferença
neste sacro instante
quero ser só
quero ser
pó
de diamante
quero ser só
quero ser
pó
de diamante
04 dezembro 2015
noite insone
já que o sono some
na velocidade do seu nome
estou aqui lendo as entrelinhas dos seus supostos olhos
famintos,
infinitos...
olhos verdes, olhos negros
que nada poderia ser mais amor que este resto amargo
de licor
que sai da sua carne
não durmo
não duro muito tempo em pé
pensando em um hipotético você
recostado atrás do meu
cigarro
as dúvidas são as únicas que resistem
com as pálpebras arregaladas
observando o Nada
absurdo da madrugada
mais um cigarro na sacada
e volto enfim a cair
em minha própria emboscada
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