22 maio 2010

nada mais sábio que um brasil de frente ao mar

ela fala comigo numa pressa de telefone porque sou o último número
da sua lista

a noite em conta-gotas conta
comigo
todos já foram
dormir aconchegados em gastos travesseiros de penas

morais.

ela fala suave uma leveza de chumbo
graceja como quem pede pra ver com seus olhos de lince
além das
entrelinhas conta
um segredo íntimo

fazendo lentas
sinuo
sidades
com a voz
pergunta
pelo meu amigo
quase
sem interesse noto uma expansão
aflitivas nas
narinas expelem um horror de
solidão me vingo com respostas vagas
ela finge
estar satisfeita
e se alimenta da minha energia
do meu silêncio
que escuta
que deseja
mais da indiferença sonolenta que aliás
quer mais
do mesmo
dela

diz que lia na praia
usando (pequenos biquinis)
óculos

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